Rum & Abacaxi

Sei que não é um pirata, mas eu gosto de Bob Esponja!

Por que eu decidi parar de piratear livros de RPG? DISCLAIMER: antes de responder, é bom deixar claro que não tenho a menor intenção de catequizar ninguém. Como eu sempre digo, o DV é para maiores, e acho que você já é grandinho(a) o bastante para tomar suas próprias decisões. Também não pretendo fingir que sou melhor do que os piratas – na verdade, eu sou uma pessoa terrivelmente chata, mesquinha e banal, que não deseja de forma alguma sair por aí pregando algum tipo de padrão de comportamento. Não tenho vocação para padre, pastor ou pai. E, mais óbvio que novela da Globo, é claro que eu sei o que é um torrent…

Nota para os piratas em CthulhuTech

Eu resolvi parar de baixar ilicitamente os livros de RPG porque acho que isso não faz bem ao “mercado” – e, por consequência, à mim mesma. Pois é, parte da minha decisão foi baseada num princípio egoísta, ao contrário do que imaginam os paladinos (ops) do 4shared. Eu acredito que, num comércio restrito como o do RPG, deixar de pagar por um produto pode causar tanto dano à produção do mesmo que os próprios consumidores acabam entrando pelo cano – afinal, se os produtores de RPG não conseguirem se manter, euzinha vou jogar o quê?

É claro que não estou sugerindo a criação de um “PROER” versão RPG, nem estou pedindo à você que tenha “peninha” da CCP/White Wolf e pare de baixar livros do novo WoD. Mas se dá para ficar com a consciência tranquila sabendo que uma indústria que faturava 14 bilhões hoje fatura “só” 6 bi (a fonográfica), é possível dormir sem culpa sabendo que, num mercado onde tiragens são contadas às poucas centenas ou milhares, pirateia-se adoidado? É, meus caros, RPG não é disco do Luan Santana (quem?).

Eu não sou economista, não estudei Administração à fundo e nunca publiquei um livro – portanto, tudo o que eu disser aqui é amador e baseado apenas na minha interpretação, ok? RPG não é entretenimento de massa, capaz de movimentar milhões ou bilhões de dólares, e acho que nunca será. O jogo depende de fatores que excluem a maior parte da população de seu consumo, feliz ou infelizmente. Em primeiro lugar, depende da leitura, e nós sabemos que é difícil encarar a leitura como “entretenimento”, mesmo em países com nível educacional melhor do que o nosso. Em segundo lugar, requer cálculos, e a matemática geralmente simples da maioria dos jogos já se mostra como empecilho, ao menos até onde pude constatar.

E aí, isso ou God of War?

Em terceiro lugar, o RPG precisa competir com formas de entretenimento semelhantes a ele, porém de assimilação mais simples – e aqui é claro que eu me refiro principalmente aos jogos de vídeo-game. Não me entenda mal, não estou chamando aquele game de sei-lá-quantas-horas-de-jogo e plot complicado de “simples”, mas você há de convir comigo que é mais simples se entregar a algo que já vem pronto, com opções pré-definidas e forte apelo áudio-visual do que sentar, preparar suas próprias histórias, ter que destilar referências a partir da sua bagagem cultural, contar fortemente com o inesperado e ainda por cima constatar que tudo só existe na sua imaginação e na do seu grupo.

Aliás, aí vem o quarto problema: RPG se joga em grupo, ou seja, é uma forma de entretenimento que vai contra a corrente individualista pela qual flutuamos. Requer que você tenha amigos e, pior, que se encontre com eles! Já pensou? Melhor ficar quietinho no quarto jogando WoW…

Clique para ver maior

Em quinto lugar, apesar da “glorificação nerd” propagada (e propagandeada) pela cultura pop dos anos 20**, o RPG ainda é visto com reservas pela pequena parcela da população que o conhece. Ainda existe preconceito por parte de pais e educadores (experimente falar que joga RPG entre “leigos” e imediatamente ouvirá “foi você quem matou aquela menina em Minas Gerais?”). E aí os brinquedinhos “nerds” que são mais facilmente digeríveis pela população é que acabam sendo cooptados pelas grandes indústrias, como o vídeo-game, o cinema (quantos filmes baseados em HQ você já viu na última década?) e as séries de TV. Deu para entender porque RPG de mesa não vai faturar como vídeo-game ou cinema? E olha que eu citei só as questões mais urgentes.

Na verdade, eu não sou a favor de piratear nada, nem como bandeira ideológica. Os desenvolvedores de software, por exemplo, merecem viver de seu trabalho tanto quanto os médicos, os professores, os mecânicos ou os lixeiros, e é evidente que a indústria precisa rever seus métodos – assim como nós, consumidores, devemos refletir sobre o fato de que NÃO EXISTE ALMOÇO GRÁTIS, a conta sempre sobra para alguém (e onde é que a corrente arrebenta, mesmo? No elo mais fraco). E, voltando ao RPG, acho que quando falamos de hobbies específicos, que ocupam pequenos nichos mercadológicos sem grande expressão econômica, a pirataria é mais insidiosa e prejudicial. Será que só preguiça impede a Devir de publicar o resto do Mundo das Trevas?

"Não é o que você está pensando!"

Eu sei que você tem um monte de desculpas para piratear seu D&D: o livro é caro, todo mundo faz, a editora que se f0d@, não existe em português, sou contra a globalização, é só para experimentar, eu tenho “direito”, etc, etc, etc. Mas pensa bem: será que algumas destas desculpas não são mais vazias e esfarrapadas do que o meu bolso depois de comprar a versão de luxo de “Shotgun Diaries” que saiu no Brasil?

Eu escrevi lá em cima que não quero propor nenhum modelo de conduta, mas você me permite só um conselho final? Lá vai: que tal contar os pdfs “””alternativos””” no seu pc e tentar comprar um livro para, sei lá,  cada lote de dez/vinte arquivos ilegais? Não precisa nem pagar 99 dólares na edição especial de Vampiro, compre um livro usado num sebo ou faça parte do mercado RPGístico nacional e experimente o Terra Devastada, que sai por cerca de R$40,00 (com frete). Olha só, com quarenta reais você vai comprar um jogo capaz de proporcionar diversão por anos, vai ajudar a fomentar a produção nacional (mais jogos em português), e quem sabe não vai ajudar a sedimentar um mercado que, no futuro, pode recebê-lo como trabalhador (editor, tradutor, ilustrador, autor, etc)? É assim que começa.

Apêndice 1
Além de tudo, ética custa caro, mesmo. É, nem tem muito o que dizer. o_O

Apêndice 2
Existem muitas coisas que as editoras de RPG podem fazer para tentar esquentar o mercado e diminuir a pirataria, mas acho que isso pode ficar para um novo post (este já ficou gigantesco).

Apêndice 3
Lembre-se que 1. Steve Jackson nunca apareceu na lista dos 10 Mais Ricos da Forbes; 2. RPG não é produto de primeira necessidade e 3. Existem muitos jogos gratuitos e de ótima qualidade, você já experimentou algum?

Apêndice 4
Rum + suco de abacaxi + leite de coco + leite condensado + gelo = piña colada, um dos meus drinks favoritos. Adivinha o que tinha naqueles copinhos descartáveis que aparecem na terceira imagem…

A terceira foto foi feita por mim. Demais imagens meramente ilustrativas.

9 Respostas para “Rum & Abacaxi

  1. Excelente post e o blog continua sendo, em minha opinião, um porto atualizado e maduro de assuntos que se relacionam e são potencializados pelo RPG.

    Pirataria é crime. Pirataria não ajuda a concorrência, por mais que force uma indústria, como a musical, a mudar, sua existência está ligada ao crime e, principalmente, ao desenvolver da falta de valor de um produto.

    No caso do RPG é ainda pior, pois estamos falando de uma produção que não contempla números gigantescos de venda, na qual já existem vários incentivos para que o custo seja o mais baixo. Caso a pirataria seja uma forma de forçar a redução de custo, estamos falando em pagar nada para quem escreve, desenha e edita o livro.

    Pirataria faz com que um profissional não tenha valor. Com que cada idéia não tenha valor. Não existe mundo grátis, o que existe é uma forma de produzir renda indiretamente com o produto grátis.

    Ou seja, será que vamos gostar de livros de RPG com papel jornal e uma propaganda a cada pagina virada? Quem vai anunciar e quem vai comprar sem falar mal e exigir qualidade internacional?

    É responsabilidade nossa criar valor para o que desejamos!

    • “Não existe mundo grátis, o que existe é uma forma de produzir renda indiretamente com o produto grátis.”

      >> É verdade, taí o Google.

      “Ou seja, será que vamos gostar de livros de RPG com papel jornal e uma propaganda a cada pagina virada? Quem vai anunciar e quem vai comprar sem falar mal e exigir qualidade internacional?”

      >> Idiocracy, hehe.

      “É responsabilidade nossa criar valor para o que desejamos!”

      >> Eu não diria “criar”, mas talvez cobrar das empresas que, já que estamos ajudando a fomentar o mercado, que nos sejam entregues produtos de qualidade.

  2. Ei Livia,

    Discordo um bocado do artigo! Os cinco problemas que você apresenta não são ligados diretamente a pirataria, mas sim a uma relação de comparação do nosso hobbie com outros formatos. Além de serem um pouco subjetivos (como o lance do preconceito), acho que não mudam muito ou se agravam com a pirataria.

    Eu sei que é feio fazer isso, mas escrevi um artigo sobre o mesmo tema para o Mamute #01, e gostaria de recortar uns pedaços dele e colocar aqui para discussão:

    (o texto todo pode ser encontrado aqui: http://www.secular-games.com/2011/01/resistir-e-unutil/)

    Meu ponto de vista atual sobre a pirataria é que ela não pode ser evitada, como a falha generalizada das indústrias da música, cinema e jogos eletrônicos independente dos milhões de dólares investidos anualmente insistem em comprovar; e portanto, que as razões pelas quais as pessoas baixam um livro, ou qualquer outro produto, são determinantes para lidarmos com a pirataria. Não estamos mais nos ingênuos anos 80, onde a pirataria era algo tão exótico e especializado como o tráfico de órgãos. A idéia de desfrutar de um conteúdo sem necessariamente pagar por ele é cada vez mais presente, e provavelmente até sua mãe ou tia participa deste complexo ciclo de alguma forma. Você pode se esconder debaixo da terra como um zerg, bradar sua alabarda contra qualquer discussão à respeito da pirataria, ou já que ela faz parte de nossa realidade, tentar lidar com ela de alguma forma.

    O ponto central para lidar com a pirataria é entender que ela não pode ser impedida – e os esforços neste sentido ou fracassaram miseravelmente, ou pior, quando funcionaram um pouco ainda assim afetavam muito mais os usuários legítimos que haviam pago pelo produto, como os casos do uso do DRM (digital rights management) tanto pelo iTunes como pela DriveThruRPG, que causaram um belo transtorno aos compradores que formataram ou mudaram de computadores, do que efetivamente aos piratas. Muito mais produtivo do que tentar impedir a pirataria, algo que nem a toda poderosa RIAA conseguiu, é entender que ela faz parte da internet, e que desta forma não faz sentido tratá-la à partir de um ponto de vista moralizante e excludente, mas simplesmente como uma possibilidade de divulgação, ou no pior dos casos, como uma concorrente ao seu negócio.

    Partindo então do pressuposto que os esforços para impedir a pirataria são tão eficazes quanto enxugar cubos de gelo com um rolo de papel higiênico, o que pode ser feito em relação a pirataria? Um bocado de coisas na verdade. A primeira delas é olhar a questão sobre outro ponto de vista. Durante muito tempo as empresas consideraram cada download ilegal de um de seus produtos como uma venda perdida. Se as quatro categorias de motivações que listei anteriormente estiverem mais ou menos corretas (e acho que elas são bem razoáveis e abrangentes para a maioria das pessoas que usa a internet), um download pirata não significa necessariamente uma venda perdida – na verdade apenas o cara que não tem a grana (eu sei, isso é discutível) mas que tem interesse em seu produto é uma venda perdida para o download ilegal. Boa parte dos downloads piratas são feitos por pessoas que antes de baixar o arquivo já estão decididos em comprar ou não o produto original, e em relação a estes não há muito a ser feito. Mas aqueles que baixam a cópia ilegal para sacarem qual é a do livro, com estes sim a pirataria pode ser usada a favor da empresa. Se ela for esperta é claro.

    O lado positivo da pirataria é que ela espalha sua marca, seu nome e seu produto sem nenhum esforço de sua parte. Cabe então a empresa que pretende usá-la a seu favor a tarefa de tornar o produto original ainda mais interessante que o pirata. Uma das formas mais fáceis de se fazer isso é a fórmula de oferecer extras, muito comum no já citado mercado dos videogames, com suas redes sociais de multiplayer. Com alguma criatividade por ser feito também com jogos de RPG, aliás cada vez mais editoras adotam medidas bacanas e espertas como oferecer uma versão em PDF gratuita para o comprador do livro físico ou playtests exclusivos para compradores costumeiros de pré-vendas.

    O compartilhamento maciço já faz parte da realidade de todos, presente na vida não só dos hackers e nerds de plantão à pelo menos 10 anos graças aos soulseeks, audio galaxies, napsters, IRCs, emules e torrents da vida. Se lutar contra essa realidade fosse uma solução viável, já deveríamos ter visto algum resultado. Mas pelo contrário, os métodos de compartilhamento só se tornam mais acessíveis e sofisticados. Lutar contra a pirataria é tentar encaixar a nossa realidade fluída e mutável em um modelo obsoleto e limitado, apenas para que a maior parte do mercado possa lidar com ela. Concorrer com a pirataria é mais inteligente, já que te faz olhar para o que você pode fazer para acompanhar as mudanças. Usar a pirataria a seu favor, é tentar jogar dentro destes novos formatos, alterar não só seus produtos, mas a forma de vendê-los e apresentá-los. Afinal a realidade não vai se adequar as regras das editoras de RPG.

    • Oi, Rocha!
      Obrigada pelo comentário, e claro que vc pode divulgar artigos, ainda mais quando eles forem interessantes como o seu. Aliás, eu concordo com quase tudo o que você disse, e acho que talvez eu não tenha me expressado direito quando escrevi.

      Os problemas que eu citei (até coloquei em negrito) não têm nada a ver com pirataria mesmo, são os principais motivos que fazem do RPG um hobby distante do entretenimento de massa como música, cinema e vídeo-game. Eu marquei essa distinção porque, na minha opinião, já que RPG não é uma indústria bilionária como essas, que arregimentam milhões de fãs, não deve ser tratado como tal na hora de discutir prataria e relações de mercado.

      Então todo o meu texto é voltado para isso: por mais que a pirataria seja inevitável em certos aspectos, e que já seja “senso comum” (praticamente) que ninguém vai perder noites de sono porque uma indústria bilionária como a fonográfica reduziu seu lucro em alguns bilhõezinhos –exceto, claro, os acionistas delas, hehehe – é interessante analisar como nós, consumidores, nos relacionamos com as micro e pequenas produtoras de conteúdo. Muitos de nós colocam qualquer produtor/vendedor como “grande capitalista”, numa radicalização burra de certos princípios marxistas, e nos esquecemos de que existe um abismo entre a Microsoft e a Secular, por exemplo. Foi essa análise que eu quis fazer, e talvez não tenha sido muito clara. Não importa se um livro custa 50, 25 ou 10 reais, sempre aparece alguém reclamando que “TÁ CARO”, sem parar para pensar nos custos de produção, logística, e até no direito de lucro de quem produziu (é válido querer viver do seu trabalho, não?).

      O seu texto também me parece bastante voltado às opções que empresas têm diante desta situação inexorável, e eu dei ênfase ao papel dos consumidores. É bem provável que, se eu fosse escrever sobre o que resta à indústria, escrevesse coisas parecidas com as que você disse. Mas também penso que você se voltou muito para as grandes companhias, e eu acho que a pirataria afeta de formas diferentes as grandes e as pequenas. Claro que essa é uma opinião amadora.

      Um mercado fragmentado, ultra-segmentado e altamente especializado como o de RPG, quase um nicho com pouquíssima expressão diante dos verdadeiros “Godzilla” do entretenimento, deve ser visto por quem consome de forma diferente – é nisto que acredito. Eu tentei chamar atenção para isso: que tipo de relação temos e poderíamos ter com quem produz RPG? É a mesma relação para com quem produz os filmes arrasa-quarteirão do verão americano? É a mesma relação para com quem produz o Playstation? E por aí vai. Não estou dizendo que RPG seja uma forma “especial” ou “melhor” de diversão, e sim que talvez seja injusto colocá-lo no mesmo balaio que um produto de arrecadação mi ou bilionária.

      É claro que cabe às fabricantes de RPG se modernizar e encarar a pirataria como qualquer outra empresa, e iniciativas como agregar brindes e conteúdo exclusivo ou optar pelo “crowdfunding” são mais do que bem-vindas; entretanto, como falei no começo, eu queria mesmo abordar o papel dos consumidores.

      Abraço!

  3. Também acho que a relação de uma comunidade pequena e de nicho como o RPG com a pirataria tem que ser diferente dos “arrasa-quarteirões” como música, cinema e videogames.

    Uma das vantagens de se ter um público pequeno é uma maior sensação de pertencimento a uma comunidade, onde todo mundo se conhece e constrói coisas juntos. Acho que essa é uma estratégia interessante e viável para o RPG, não pra acabar com a pirataria, que como concordamos sempre vai existir, mas fazer a galera contribuir com as iniciativas e autores que curte.

  4. Não querendo criar polêmica, mas acho que pirataria é extremamente prejudicial sim. Mas como já foi dito no post e nos comentários, é algo inevitável atualmente. O ser humano sempre buscará o meio mais fácil para conseguir algo, isso é inerente a nossa própria natureza (muitas vezes essa característica é restringida a cultura brasileira, o que é um erro). E com as facilidades de distribuição de informações existente hoje, fica impossível de impedir essa prática. Agora dizer que é algo bom, é outra coisa, pois não é. Faço uma comparação, que pode até soar radical, mas pirataria é como droga. Você sabe que faz mal, sabe que é ilegal e não deveria usar. Mas o faz mesmo assim você utiliza. Seja por que essa “alivia seu peso” e está na modinha (no caso da droga) ou pelo fato de facilitar sua vida (no caso da pirataria).

    Abre-se uma ressalva aqui, de que, como quase tudo no mundo (inclui-se drogas), a pirataria também traz benefícios. Divulgação gratuita, acesso de diversos materiais necessários a pessoas sem condições de alcançá-lo. Mas será que o é proveitoso quando se fala de custo/benefício? Nunca que as produtoras terão os mesmo lucros que teriam sem a pirataria. Mesmo no mundo da música, onde se tem bilhões circulando, os gastos são tão altos quanto. Quantas gravadoras tiveram de fechar as portas por causa disso? Podemos dizer até que houve uma concentração de empresas, pios muitas das pequenas acabaram falindo. E não preciso nem dizer que isso é ruim para a qualidade. A maior prova é a alta concentração de “bandas que vendem” hoje em dia. Raras músicas de qualidade não conseguem amplo mercado e com consequência não valem a pena ser vendidas (antigamente também existiam as bandas para comercializar, mas hoje em dia está ridículo).

    Vale lembrar que drogas ilícitas também tem seus pontos positivos. Usos medicinais, alívio de estresse, entre tantos outros fatores. porém, nem por isso deve ser usada.

    Não sei por vocês, mas não considero a pirataria algo bom. Até acho proveitoso em uma situação no RPG, como por exemplo, no minha história: Conheci o jogo após o caso de Ouro Preto. Tentei achar em livrarias e nunca encontrava. Mas o pior era a expressão “Menino, isso é coisa de Satã” ou “Minha nossa, ele vai me matar em um ritual quando eu sair daqui” das vendedoras. Então meio que fiquei receoso em continuar procurando. Apenas quando baixei o livro na internet e gostei, foi que tive coragem de novamente ir em busca nas livrarias e sebos da vida. Valia a pena toda aquela situação constrangedora.

    Nada contra quem usa artigos piratas. Isso é uma escolha própria como tudo na vida. Mas economizar uns meses para comprar aquele livro no final do ano não mata, ao menos se você não estiver devendo a agiotas ou coisas do tipo (insira aqui sua criativa justificativa).

    Dar novamente os parabéns Livia. Estou gostando muito do blog.

    Boa sorte ai.

  5. Puts!

    Fazia tempo que eu não lia artigo de conteúdo na blogosfera. O que você falou já foi falado e falado, de ambos os lados, e por vários blogs (eu mesmo já falei lá nos #CavaleirosInsones) mas você falou com uma sinceridade que prendeu minha atenção do início ao fim. Concordo com tudo que você disse, e ainda digo mais: se hoje as pessoas criticam certos sistemas ditos “capitalistas”, mas baixam seus conteúdos indiscrimadamente, então a hipocrisia da adesão à pirataria e criticismo deles nada mais é do que a acomodação da tecnologia atual. Sou da geração xerox, e se seguíssemos esse exemplo passado, onde 1 comprava e todos xerocavam, a indústria de nincho do RPG ainda assim sairia lucrando, sem ter que apelar para medidas restritas e oligárquicas – como o DDInsinder da WoTC – e só assim, o RPG contuaria e continuaria.

    Parabéns Livia!

  6. Concordo plenamente …Parabéns!
    Quem dera todos os rpgistas pensarem assim.

  7. Me senti mal lendo seu post… ainda bem que num tenho acesso fácil a fósforos e gasolina! (risos) Concordo plenamente com o que você disse! O Pior que justamente conheci seu Blog ao procurar uma “cópia alternativa” de Shotgun Diaries, para, como você mesma disse, experimentar o jogo!
    Pôxa! Vou ser franco! Exige muita boa fé e um bocado de motivação de sua consciência para comprar algo que você relativamente já tem! É como os jogos de PêCê “alternativos” que disputam espaço com meias em minhas gavetas… não tenho o cálculo de quantos não cheguei ao fim… em contra partida, todos os poucos originais, os quais conto nos dedos de uma mão que uso para pressionar botões de elevadores, joguei mais de uma vez até o final! Parabéns pelo post e pela reflexão!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s