Eu tô achando isso tudo um tédio

Daí que a Record, aquela emissora de TV controlada por uma igreja, resolveu que os vilões de sua novelinha para adolescentes seriam jogadores de RPG. Calma, não é RPG como nós conhecemos, você vai constatar daqui a pouco…

A novelinha é uma versão nacional de “Rebelde”, aquela que nos atormentou uns anos atrás com a música “e soy rebeeeelde” (lembrou?). Não vou criticar artisticamente a coisa, até porque nem vejo nada de artístico na tal novela, mas gostaria de compartilhar um trecho da história com vocês. Eu também não vou tentar explicar que RPG não tem nada a ver com isso (vocês já sabem que não tem), e nem vou sugerir que seria positivo mostrar um grupo jogando de modo saudável – e realista. É chover no molhado, é perder tempo. Já ouviram a expressão “reclamar com o bispo”? Acho que ela nunca fez tanto sentido… Apenas agradeço São Sagan por ser maior de idade e por ter pais que não assistiram novela da Record.

“Vocês nunca ouviram falar em RPG?”

Bom, me parece óbvio que os “roteiristas” ouviram falar muito pouco, hehehe… de qualquer forma, repetindo um dos personagens da novela, eu tô achando isso tudo um tédio.

E vocês?

PS: e esses adolescentes com cara de mais velhos que eu? CASTING – you’re doing it wrong! xD

9 Respostas para “Eu tô achando isso tudo um tédio

  1. É como eu disse pro Acóda – é impossível isso queimar o filme dos jogadores normais.

    – “Você joga RPG”?
    – “A-ham”.
    – “Nossa, aquilo é do capeta”.
    – “Nem é, é sussa”.
    – “Não do jeito que eu vi na novela”.
    – “Você assiste Rebelde”?
    – “…”

  2. O que eu acho que e o problema não e o que e RPG ou não, o problema e a repercussão que isto vai dar para o mundo, por exemplo, o tipo de jogo que eles estão jogando só mostra que vai dar problema, a qualquer hora eles vão entrar e sair do jogo, seja aonde estiverem, logico que isso vai dar merda, ai a garotinha idiotinha que esta vendo essa porcaria de novela vai querer imitar e, vai acabar fazendo merda e o pai vai ver e vai culpa o coitado do rpg, que no final da historia não tem culpa e não fez nada. Pois nos sabemos que isso não e rpg, mais os pais quando ouvirem a palavra, rpg ja e o fim do mundo para eles.

  3. Hehehe. Eu que jogo RPG, se estivesse na casa de alguém, essa pessoa me pedisse para esperar um momento e voltasse vestida de preto feito o capiroto-vou-roubar-sua-alma eu dava voado no pé! Hahaha!

  4. Já está causando estragos. A irmã de um amigo tem apenas 13 anos. Meu amigo é maior de idade. Ela ficou apreensiva porque o irmão joga o que ela viu na novela. Multipliquem isso por alguns milhares, alguns pais. Além das crianças e jovens que levarão para a escola…

  5. Jogadores maiores de idade e com pais sussa não tem preocupações diretas com isso, mas esse tipo não é a totalidade dos jogadores (no segundo caso, ouso dizer que seja minoria). Além da desinformação generalizada promovida por essa novelinha, com toda a má fama e preconceito que isso pode gerar, existe a anticampanha implícita, que dificulta ainda mais o crescimento do mercado rpgístico. Acho que os rpgistas devem ter muitas reações contra essa novelinha, mas não diria que tédio é a mais apropriada.

  6. @ Mr Black: eu partilho dessa opinião. Criticar o RPG por causa de Rebelde diz mais sobre quem critica do que sobre o RPG em si…

    * * *

    @ Mike: hehehe

    * * *

    @ PH, Alex, Daniel: vamos propor alguns questionamentos, ok? Será que quem forma sua opinião sobre as coisas baseado na novela Rebelde da Record vai aprender alguma coisa comigo? Não falo no sentido de capacidade intelectual, mas tipo… quem é meu interlocutor aqui?

    Não sei se sou a pessoa mais indicada para explicar aos pais de ninguém que RPG não é coisa do capeta. Acredito que a própria pessoa é quem tem de pegar um livro com um jogo adequado para sua idade, chamar seus pais e mostrar para eles do que se trata. E se eles mantiverem a proibição… ela deve decidir sozinha se vai ou não respeitá-la. Ou não?

    Assim como também penso que é responsabilidade do irmão mais velho tranquilizar a caçula, se for do interesse dele. É bom que ela saiba que existe conflito de idéias no mundo, e que muitas vezes as pessoas irão distorcer as coisas quando for do interesse delas, e que nem tudo que passa na televisão é verdade. Ou não?

    Quando a Record fala mal de RPG, não está falando mal de mim (ou está?). Não preciso me sentir pessoalmente ofendida. Ou preciso?

    Qual a forma correta de deixar claro que RPG não é do jeito que a novela mostrou? Devo me manifestar de forma irada no facebook ou deixar claro o quanto me parece enfadonho tamanha ignorância a essa altura do campeonato? Qual a melhor forma de ser pró-RPG? Aliás, temos que ser “pró-RPG”? Por quê? Por quem?

  7. Nossa, o que leva um roteirista a inventar um “jogo” como esses e dizer que é RPG? De fato não deixa de ser um jogo de interpretação de personagem, mas é claramente distorcido pervertido e manipulado para criar situações dentro da novela que não teriam justificativa nenhuma, ou seja ele é tão pouco criativo e informado que juntou as duas coisas (falta de informação e falta de criatividade) para poder dar andamento em sua “obra plágio”… Lamentável, e sinceramente, não acho que o estrago não se resolva com uma boa conversa…

  8. Qualquer jogo que fosse retratado da mesma forma distorcida (como sendo uma atividade coercitiva, involuntária, sem limites de espaço nem de tempo, ostensiva, permanente, sem o consenso prévio de todos os participantes sobre suas regras, com autoritarismo, arbitrariedade, na qual a fantasia e a personificação não se diferenciam da vida real, na qual as intenções secretas dos participantes são conhecidas pelo público, e na qual os jogadores não têm liberdade de decisão) utilizada pelos roteiristas da novela/seriado seria tido como maligno por quem não conhecesse a verdade sobre o jogo, o problema é que o RPG é um passatempo que ocupa um nicho de mercado muito restrito e a maioria das pessoas não sabe do que se trata, estando expostas às impressões equivocadas oferecidas pela emissora (concessão pública cuja programação deveria ser preferencialmente educativa e informativa) do bispo.

    Por exemplo, a novela/seriado poderia muito bem retratar um jogo de futebol no qual os jogadores fossem constrangidos a participar e que envolvesse no jogo pessoas que ignorassem estar participando involuntariamente, usando como campo de jogo todas as salas e pátios do colégio, no qual os jogadores competissem entre si durante todo seu período de vigília, e cujas regras fossem impostas unilateralmente por um trio de arbitragem com poder para alterá-las livremente, e todos vestissem os uniformes de seus times o tempo todo, com técnicos, torcedores e outros jogadores determinando suas próximas jogadas e com os espectadores da novela conhecendo de antemão todas as más intenções dos jogadores. Se eu fosse assistir a essa novela e este fosse o primeiro contato que eu tivesse com um jogo chamado “futebol”, com certeza acharia horrível e poderia reagir com preconceito suficiente para não querer nem saber de conhecer melhor uma coisa tão horrível.

    Mas como trata-se de uma obra de ficção (como o filme “Turistas” por exemplo, que retrata o roubo de órgãos nas praias cariocas) não cabe acusá-los de difamação, pois no caso da novela/seriado a única reputação sendo ofendida seria a dos personagens fictícios e não de pessoas de fato.

    Se a prática do RPG fosse uma religião institucionalizada (registrada em cartório) ou um costume folclórico de uma determinada etnia, seria crime induzir ou incitar a discriminação ou preconceito, com a possibilidade de juiz determinar, a pedido do Ministério Público e antes do inquérito policial, a cessação das respectivas transmissões televisivas, sob pena de desobediência (art. 20, §§ 2º e 3º, II, da Lei 7716/89). Mas não é o caso, somos somente uma das diversas minorias sujeitas à ridicularização indiscriminada pelos meios de comunicação, assim como os esportistas, os artistas, os trabalhadores, as periguetes, os políticos, os não-heterossexuais, os idosos, as mulheres, as crianças, os adolescentes, etc.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s