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Ouro de tolo

nhac!

Nem tudo que reluz é… pirita!

E chegamos em 2013. Para vocês terem uma idéia, eu comecei a rascunhar esse post em dezembro de 2012… anyway… vira e mexe acabo caindo em discussões sobre a famosa “Regra de Ouro”. Há quem defenda arduamente por aí tal diretriz, presente de uma forma ou de outra em vários RPGs, aclamando-a como “o” dogma/axioma/teorema/mandamento (marque um X no substantivo que mais lhe agradar) que rege universalmente o nosso hobby. Hum. Será mesmo?

Regra de Ouro, vocês sabem, é aquela que diz mais ou menos assim:

“Esta é a regra mais importante de todas, e a única que vale a pena seguir: Não existem regras. Este jogo deve ser tudo aquilo que você quer que ele seja (…) Se as regras neste livro interferirem com o seu prazer de jogar, mude-as.”
(Vampiro A Máscara revisado)

futebol

Parece fazer todo o sentido, e nós sabemos que é complicado falar em jeito “certo” ou “errado” de jogar, posto que cada grupo acaba por criar seu modus operandi, sem deixar de caracterizar o que fazem como “jogar RPG”. Muito legal. Só tem um problema: até que ponto dá pra mudar as regras da coisa e continuar jogando o mesmo jogo? Não digo RPG como metonímia, mas algum título em particular? O que eu vejo são pessoas modificando completamente aquilo que jogam, e usam da “Regra de Ouro” para justificar as coisas mais idiotas. É como se jogassem futebol sem bola. “Ei, o importante é que ainda temos 22 pessoas em campo, demos o nome de ‘futebol’, e estamos nos divertindo“.

pip

Eu não sou fiscal da diversão alheia, e no fim das contas você está mesmo jogando RPG (de modo geral) quando cria suas house rules. O lance é que não dá pra ficar resumindo tudo nisso, porque você pode empobrecer sua experiência de jogo. A estrutura mecânica pensada pelos designers, o setting escolhido por eles (quando o jogo não é “genérico), o “clima” do material… você precisa vivenciar tudo isso para realmente saborear o que está jogando da forma como aquilo foi imaginado por seus autores. Certamente a vivência de uma mesa de Call of Cthulhu sem Sanidade é completamente diferente daquilo que o jogo se propõe a fazer, por exemplo. Tem gente que gosta, claro. Mas tem gente que gosta de beber xixi – não sou eu quem vai dizer que é errado, mas posso argumentar que vinho do Porto tem todo um contexto histórico/cultural/gastronômico/biológico cuidadosamente elaborado para proporcionar uma experiência mais satisfatória sob todos estes paradigmas…

Talvez eu esteja demonstrando um certo purismo, mas não é esta minha intenção. Gosto de colocar a Regra de Ouro em cheque porque, de certa forma, ela desconstrói a essência do próprio RPG, daquilo que ela mesma se propõe a reger, o que a torna uma contradição. Eu acredito que a Regra de Ouro é uma chuva dourada (ops) capaz de diluir os elementos que compõe o RPG até não sobrar uma única molécula de jogo, quando utilizada ad nauseam. Afinal de contas, pra quê regras, cenários, climas, ambientações, fluff, dados, cartas, fichas, design de jogo, enfim, se existiria um princípio regulador único que diz que tudo isso é descartável?

Talvez seja só eu, mas excesso de descartabilidade me incomoda. Nada é sagrado – por isso mesmo tudo é sagrado – e assim nada é sagrado… Mas já estou divagando.

Tudo posso naquele que dorme em R’lyeh

Imagens meramente ilustrativas

* * *

Posts de outros blogs inspirados por este:
Tralhas RPGísticas da Graci
Pontos de Experiência

[News] Rein-Hagen ressurge com novo jogo

Mark Rein “Bolinha” Ragen, criador de Vampiro A Máscara, anunciou hoje no facebook que vai lançar seu próximo jogo, uma mistura de RPG de mesa com boardgame chamado “Democracy”, via crowdfunding. A plataforma escolhida foi o onipresente Kickstarter, e a campanha de arrecadação será aberta 30 de agosto.

Quem é vivo sempre aparece

Eu tô achando isso tudo um tédio

Daí que a Record, aquela emissora de TV controlada por uma igreja, resolveu que os vilões de sua novelinha para adolescentes seriam jogadores de RPG. Calma, não é RPG como nós conhecemos, você vai constatar daqui a pouco…

A novelinha é uma versão nacional de “Rebelde”, aquela que nos atormentou uns anos atrás com a música “e soy rebeeeelde” (lembrou?). Não vou criticar artisticamente a coisa, até porque nem vejo nada de artístico na tal novela, mas gostaria de compartilhar um trecho da história com vocês. Eu também não vou tentar explicar que RPG não tem nada a ver com isso (vocês já sabem que não tem), e nem vou sugerir que seria positivo mostrar um grupo jogando de modo saudável – e realista. É chover no molhado, é perder tempo. Já ouviram a expressão “reclamar com o bispo”? Acho que ela nunca fez tanto sentido… Apenas agradeço São Sagan por ser maior de idade e por ter pais que não assistiram novela da Record.

“Vocês nunca ouviram falar em RPG?”

Bom, me parece óbvio que os “roteiristas” ouviram falar muito pouco, hehehe… de qualquer forma, repetindo um dos personagens da novela, eu tô achando isso tudo um tédio.

E vocês?

PS: e esses adolescentes com cara de mais velhos que eu? CASTING – you’re doing it wrong! xD

[News] White Wolf vai lançar o V20 Companion via crowdfunding

Não sei se a capa me anima ou desanima... xD

Talvez inspirada na bem-sucedida campanha que deu aos brasileiros o Violentina (hehehe), a editora americana White Wolf resolveu iniciar a comercialização do Companion (manual) do V20, sua versão atualizada do clássico Vampiro A Máscara,  através do processo de crowdfunding ou financiamento coletivo. Nesta modalidade de serviço, os consumidores podem financiar diretamente o lançamento de um produto.

A vantagem vai além da compra do objeto – campanhas de crowdfunding geralmente incluem brindes especiais para quem topa entrar na brincadeira, e com o V20 não será diferente. Os itens especiais vão de livros autografados até uma sessão de Vampiro narrada por Justin Achilli via skype, ao preço de 3000 dólares.

Mais informações no site do projeto: http://www.kickstarter.com/projects/200664283/v20-companion-deluxe-edition

 

Imagem meramente ilustrativa.

5 livros civis para RPGistas hardcore

Soldados jogando RPG no Iraque

Todo mundo sabe que RPG é um passatempo diretamente relacionado à leitura – ou pelo menos deveria ser. E alguns livros são exaustivamente citados sempre que se fala de literatura para jogadores, como O Senhor dos Anéis, as Crônicas Vampirescas da Anne Rice, O Guia do Mochileiro das Galáxias e, mais recentemente, As Crônicas de Gelo e Fogo. Beleza, se você é um/a RPGista velho de guerra, certamente já leu ou pelo menos ouviu falar destes livros. São “obrigatórios” para quem se alistou no RPG.

Mas assim como o mundo dos tabletop games não se resume à D&D-GURPS-WoD, livros não se resumem a fantasia medieval, ficção científica ou histórias de vampiros. Nem a Neil Gaiman, Terry Pratchett, Asimov e coisas do tipo. Não, não estou criticando essa galera (como eu poderia?), apenas sugerindo que você vá, ousadamente, aonde poucos RPGistas se atreveram a ir. Aliás, considerando as coisas que eu leio nas redes sociais, que você se aventure por terrenos que quase ninguém mais trilha… porque num mundo em que poucas coisas ainda me impressionam, vira e mexe me surpreendo com pessoas que decidem jogar um jogo que costuma usar livro de regras mas não querem (e geralmente nem conseguem) ler. É para acabar com a fleuma de qualquer um…

Bem, caso você já tenha tido o prazer de ler todas as minhas sugestões, deixe suas próprias dicas de livros “civis” nos comentários.

1) Lolita, Vladimir Nabokov
Não me acusem de desonestidade com o post só porque este é um dos meus livros favoritos. Ele merece ser lido por RPGistas porque todo mundo que use a língua (no sentido de “idioma”) como profissão ou hobby pode aprender alguma coisa com o romancista russo, que deitou e rolou escrevendo em inglês. Lolita é a cínica auto-análise de um pervertido apaixonado, um road-movie em versão livro, uma novela de mistério com perseguição policial e tudo. Você só vai se lembrar de que foi escrito na década de 50 quando sentir falta de um celular na mão da personagem-título.
E o que RPGistas podem aproveitar do livro? Bem, além de se deliciar com um mago das palavras (e Paulo Coelho se retorce de inveja) e tirar vantagem da habilidade linguística de Nabokov para suas próprias narrativas, aqui você vai ler descrições de viagens pelos EUA, vai “entrar na mente” de um personagem atormentado, vai observar com detalhes a construção de uma obsessão (e seu fim trágico), vai aprender que dá para criar personagens interessantes com um quê de patético sem cair no lugar-comum do anti-herói e, entre outras coisas, vai descobrir que quando a Playboy chama de “ninfetas” mulheres de 21 anos posando peladas, eles estão viajando na maionese.
PS: os filmes não têm nada a ver.
Citação: Estou pensando em bisões extintos e em anjos, no mistério dos pigmentos duradouros, nos sonetos proféticos, no refúgio da arte. Porque essa é a única imortalidade que você e eu podemos partilhar, minha Lolita.

2) Gueixa, Liza Dalby

Liza Dalby

Uma antropóloga americana decide viver como uma gueixa no Japão para compreender esta cultura. É uma obra de não-ficção simplesmente fascinante. Para quem curte histórias orientais, é um ponto de vista bastante diferente do que tradicionalmente se encontra nos RPGs: uma americana mergulhando num recanto absolutamente japonês, e com foco não em shoguns, samurais, katanas e assassinatos, mas em mulheres, arte, dramas cotidianos pungentes e universais. Os bons RPGistas irão aproveitar as descrições detalhadas de costumes, roupas e alimentos; as citações em forma de haikai; as inúmeras ilustrações e fotos… enfim, Gueixa é um manual de ambientação para o mundo das “flores e salgueiros” – aliás, para qualquer cenário minucioso que envolva o oriente.
Citação: todos viram de longe a virgem dragão / agora transformada em buda

3) O Apanhador no Campo de Centeio, J. D. Salinger
Dizem que este é o livro preferido dos assassinos (o cara que atirou no John Lennon curtia), mas não é por esse motivo torpe que eu indico a obra. Os temas centrais da história podem fazer parte de qualquer narrativa de RPG que envolva o mundo adolescente, como no moderno Misspent Youth. O livro aborda coisas como angústia, rebeldia, descobrimento da sexualidade, formação da própria identidade…  a história de Holden Caufield, o narrador de 17 anos, pode ser aproveitada em jogos sobre perda da inocência e aquele sentimento de solidão típico da juventude. Na verdade, talvez vocês até se identifiquem com o moleque problemático – todos nós já fomos adolescentes, né não? Então, aproveite a leitura para dar mais profundidade aos personagens jovens do seu jogo. Mesmo se você estiver jogando algo tradicional, pode ser interessante explorar os efeitos da adolescência no seu moleque ladino ou na jovenzinha carniçal. E veja quanta história cabe em dois dias de narrativa!
Citação: A gente nunca devia contar nada pra ninguém. Mal acaba de contar, a gente começa a sentir saudade de todo mundo.

4) Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis
Todo mundo adora citar Machadão (apelido: Bruxo do Cosme Velho, dá de dez naquele seu nick safadinho de msn) na hora de falar de “livro chato” e supostos traumas literários perpetrados por professores de português do primeiro grau. Cadê vergonha na cara, gente? Este livro é narrado por um morto mais de 100 anos antes de Beleza Americana. É ferino, irônico, mordaz, com um humor inteligente e uma sofisticada crítica da sociedade da época, que pode facilmente servir de base para analisar qualquer sociedade, de qualquer época. O livro também flerta com a ausência de linearidade, e disso qualquer jogador narrativista gosta (quem fizer adaptação de Brás Cubas pra FIASCO, guardadas as devidas proporções, merece tudo). E nem adianta reclamar de algumas palavras “difíceis”: dicionário é uma invenção fabulosa da humanidade. Quanto mais palavras você sabe, mais coisas é capaz de dizer – e se o RPG é baseado na palavra, considere-se obrigado/a a conhecer este clássico da sua língua: A obra em si mesma é tudo: se te agradar, fino leitor, pago-me da tarefa; se te não agradar, pago-te com um piparote, e adeus. Taí, grande dica para qualquer jogador de RPG!
Citação: Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. (mas a melhor citação é todo o capítulo 55)

5) Crime e Castigo, Dostoievski
É aquela coisa: todo mundo tem que ler isso aqui um dia. Sério. As pessoas não deveriam ser consideradas plenamente alfabetizadas até ler pelo menos um clássico russo. Não é elitismo, é escola da vida. A história do ex-estudante Raskolnikov é a quintessência da angústia existencialista. Enquanto nos aprofundamos nos dilemas éticos, morais e psíquicos do protagonista, que tenta elaborar justificativas para um crime terrível que ele se prepara para cometer, também vamos lentamente escavando as partes mais sórdidas de nós mesmos. Que viagem. Mas e na mesa de jogo? Bem, o livro é um verdadeiro manual para a criação de personagens com intensa vivência psicológica, e para incluir culpa e consciência em narrativas. É uma obra seminal para mestres interessados em torturar psicologicamente seus jogadores, hehe. Também há muito simbolismo através de sonhos, o que sempre é interessante para quem curte um jogo com cinematic/cutscenes. O livro tem ainda uma cena terrível e cheia de significado de sofrimento animal, só superada pela morte da Baleia. =(
Citação: Tudo está ao alcance do homem, e tudo lhe escapa, em virtude da sua covardia.

Apêndice 1
Todos os livros citados aqui podem ser facilmente encontrados em sebos e bibliotecas. Alguns estão disponíveis gratuitamente na internet, pois são de domínio público.

Apêndice 2
Sério, LEIAM VIDAS SECAS.

Imagens meramente ilustrativas.

Revelando os Diários da Espingarda

Presentinho que uma tal de Livia me deu...

A gente fica um tempinho sem postar e já sente saudade. o_O

Estou cheia de posts rascunhados, esperando uma folga para a finalização, mas a correria do cotidiano me impede de terminá-los. Maldita/bendita vida adulta!

Mas como eu não sou de ferro, e apesar de estar meio offline, não deixei de reservar meus tostões (tanto os metafóricos quanto os literais) para o RPG – e entre minhas últimas compras está a bela latinha da edição de luxo nacional de Shotgun Diaries, que saiu no país pela editora Redbox.

Abaixo, o videozinho amador em que eu registrei (com um inexplicável mega sotaque mineirês) esse momento de alegria, hehe.

Rum & Abacaxi

Sei que não é um pirata, mas eu gosto de Bob Esponja!

Por que eu decidi parar de piratear livros de RPG? DISCLAIMER: antes de responder, é bom deixar claro que não tenho a menor intenção de catequizar ninguém. Como eu sempre digo, o DV é para maiores, e acho que você já é grandinho(a) o bastante para tomar suas próprias decisões. Também não pretendo fingir que sou melhor do que os piratas – na verdade, eu sou uma pessoa terrivelmente chata, mesquinha e banal, que não deseja de forma alguma sair por aí pregando algum tipo de padrão de comportamento. Não tenho vocação para padre, pastor ou pai. E, mais óbvio que novela da Globo, é claro que eu sei o que é um torrent…

Nota para os piratas em CthulhuTech

Eu resolvi parar de baixar ilicitamente os livros de RPG porque acho que isso não faz bem ao “mercado” – e, por consequência, à mim mesma. Pois é, parte da minha decisão foi baseada num princípio egoísta, ao contrário do que imaginam os paladinos (ops) do 4shared. Eu acredito que, num comércio restrito como o do RPG, deixar de pagar por um produto pode causar tanto dano à produção do mesmo que os próprios consumidores acabam entrando pelo cano – afinal, se os produtores de RPG não conseguirem se manter, euzinha vou jogar o quê?

É claro que não estou sugerindo a criação de um “PROER” versão RPG, nem estou pedindo à você que tenha “peninha” da CCP/White Wolf e pare de baixar livros do novo WoD. Mas se dá para ficar com a consciência tranquila sabendo que uma indústria que faturava 14 bilhões hoje fatura “só” 6 bi (a fonográfica), é possível dormir sem culpa sabendo que, num mercado onde tiragens são contadas às poucas centenas ou milhares, pirateia-se adoidado? É, meus caros, RPG não é disco do Luan Santana (quem?).

Eu não sou economista, não estudei Administração à fundo e nunca publiquei um livro – portanto, tudo o que eu disser aqui é amador e baseado apenas na minha interpretação, ok? RPG não é entretenimento de massa, capaz de movimentar milhões ou bilhões de dólares, e acho que nunca será. O jogo depende de fatores que excluem a maior parte da população de seu consumo, feliz ou infelizmente. Em primeiro lugar, depende da leitura, e nós sabemos que é difícil encarar a leitura como “entretenimento”, mesmo em países com nível educacional melhor do que o nosso. Em segundo lugar, requer cálculos, e a matemática geralmente simples da maioria dos jogos já se mostra como empecilho, ao menos até onde pude constatar.

E aí, isso ou God of War?

Em terceiro lugar, o RPG precisa competir com formas de entretenimento semelhantes a ele, porém de assimilação mais simples – e aqui é claro que eu me refiro principalmente aos jogos de vídeo-game. Não me entenda mal, não estou chamando aquele game de sei-lá-quantas-horas-de-jogo e plot complicado de “simples”, mas você há de convir comigo que é mais simples se entregar a algo que já vem pronto, com opções pré-definidas e forte apelo áudio-visual do que sentar, preparar suas próprias histórias, ter que destilar referências a partir da sua bagagem cultural, contar fortemente com o inesperado e ainda por cima constatar que tudo só existe na sua imaginação e na do seu grupo.

Aliás, aí vem o quarto problema: RPG se joga em grupo, ou seja, é uma forma de entretenimento que vai contra a corrente individualista pela qual flutuamos. Requer que você tenha amigos e, pior, que se encontre com eles! Já pensou? Melhor ficar quietinho no quarto jogando WoW…

Clique para ver maior

Em quinto lugar, apesar da “glorificação nerd” propagada (e propagandeada) pela cultura pop dos anos 20**, o RPG ainda é visto com reservas pela pequena parcela da população que o conhece. Ainda existe preconceito por parte de pais e educadores (experimente falar que joga RPG entre “leigos” e imediatamente ouvirá “foi você quem matou aquela menina em Minas Gerais?”). E aí os brinquedinhos “nerds” que são mais facilmente digeríveis pela população é que acabam sendo cooptados pelas grandes indústrias, como o vídeo-game, o cinema (quantos filmes baseados em HQ você já viu na última década?) e as séries de TV. Deu para entender porque RPG de mesa não vai faturar como vídeo-game ou cinema? E olha que eu citei só as questões mais urgentes.

Na verdade, eu não sou a favor de piratear nada, nem como bandeira ideológica. Os desenvolvedores de software, por exemplo, merecem viver de seu trabalho tanto quanto os médicos, os professores, os mecânicos ou os lixeiros, e é evidente que a indústria precisa rever seus métodos – assim como nós, consumidores, devemos refletir sobre o fato de que NÃO EXISTE ALMOÇO GRÁTIS, a conta sempre sobra para alguém (e onde é que a corrente arrebenta, mesmo? No elo mais fraco). E, voltando ao RPG, acho que quando falamos de hobbies específicos, que ocupam pequenos nichos mercadológicos sem grande expressão econômica, a pirataria é mais insidiosa e prejudicial. Será que só preguiça impede a Devir de publicar o resto do Mundo das Trevas?

"Não é o que você está pensando!"

Eu sei que você tem um monte de desculpas para piratear seu D&D: o livro é caro, todo mundo faz, a editora que se f0d@, não existe em português, sou contra a globalização, é só para experimentar, eu tenho “direito”, etc, etc, etc. Mas pensa bem: será que algumas destas desculpas não são mais vazias e esfarrapadas do que o meu bolso depois de comprar a versão de luxo de “Shotgun Diaries” que saiu no Brasil?

Eu escrevi lá em cima que não quero propor nenhum modelo de conduta, mas você me permite só um conselho final? Lá vai: que tal contar os pdfs “””alternativos””” no seu pc e tentar comprar um livro para, sei lá,  cada lote de dez/vinte arquivos ilegais? Não precisa nem pagar 99 dólares na edição especial de Vampiro, compre um livro usado num sebo ou faça parte do mercado RPGístico nacional e experimente o Terra Devastada, que sai por cerca de R$40,00 (com frete). Olha só, com quarenta reais você vai comprar um jogo capaz de proporcionar diversão por anos, vai ajudar a fomentar a produção nacional (mais jogos em português), e quem sabe não vai ajudar a sedimentar um mercado que, no futuro, pode recebê-lo como trabalhador (editor, tradutor, ilustrador, autor, etc)? É assim que começa.

Apêndice 1
Além de tudo, ética custa caro, mesmo. É, nem tem muito o que dizer. o_O

Apêndice 2
Existem muitas coisas que as editoras de RPG podem fazer para tentar esquentar o mercado e diminuir a pirataria, mas acho que isso pode ficar para um novo post (este já ficou gigantesco).

Apêndice 3
Lembre-se que 1. Steve Jackson nunca apareceu na lista dos 10 Mais Ricos da Forbes; 2. RPG não é produto de primeira necessidade e 3. Existem muitos jogos gratuitos e de ótima qualidade, você já experimentou algum?

Apêndice 4
Rum + suco de abacaxi + leite de coco + leite condensado + gelo = piña colada, um dos meus drinks favoritos. Adivinha o que tinha naqueles copinhos descartáveis que aparecem na terceira imagem…

A terceira foto foi feita por mim. Demais imagens meramente ilustrativas.