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RPGzão das minas

Pode decote, pode minissaia, pode miniatura, só não pode babaquice

Pode decote, pode minissaia, pode miniatura, só não pode sexismo

Tudo começou assim: a página do Facebook “A Taverna” resolveu fazer uma gracinha sobre a presença de mulheres no RPG, e postou isso (caso tenha sido deletado, tente aqui). Sim, em pleno 2015 tem gente que acha que objetificar mulheres não cria protesto no mundo ocidental. Se foi ingenuidade ou má-fé, não posso julgar… mas tive que acordar o blog da animação suspensa para reiterar que: não, não é legal “demonstrar” a presença de mulheres no RPG associando-as à peitos. Entendam, não é. O uso deste tipo de piada merece um debate mais aprofundado, para além da polarização e de acusações de “feminazismo”, “manginismo”, “se fossem peitorais de guerreiro ninguém ligava” e bobeiras afins – e eu gostaria de ter uma discussão madura com os autores d’A Taverna, mas parece que vai ser impossível. Fica o apelo: este post não é um chamado para a guerra, é um convite à reflexão.

Não adianta dizer que “o sexismo está nos olhos de quem vê”, porque qualquer um que não tenha déficit visual enxergou as tetas da mocinha (que sequer ganhou um rosto na postagem). E não importa se a menina que tirou a foto queria  exibir o busto ou não; não é a conduta dela que está sendo discutida, e sim a de um grupo de pessoas que detêm certa legitimidade dentro do mundinho RPGista (fundamentada até pelos milhares de seguidores que possuem) ao usar deste tipo de discurso a esta altura do campeonato.

Então vou repetir: não. é. legal.

Não é inteligente, não é descolado, não é engraçadão, não demonstra que você lida bem com sua sexualidade, não é “adulto”. É apenas besta e comum. Já é tradicional na nossa sociedade usar do corpo das mulheres como metonímia do gênero (e, especificamente, daquelas porções erotizadas e em conformidade com os padrões de beleza), num reducionismo humilhante. A mulheres que jogam RPG não querem aparecer numa página de RPG apenas como peitos atrás de um pingente de d20 – queremos aparecer como autoras, como críticas, ou como personagens bem construídas que não tenham como principal característica a sexualidade. Diferente seria mesmo representar as mulheres para além destes velhos displays de peitos, decotes e bijuterias.

Então por favor lembrem-se disto, rapazes que porventura estejam lendo: é muito difícil para uma mulher quebrar paradigmas e se tornar jogadora de RPG. Então tente acolhê-la usando sua compreensão e respeito e não, ops, peitos.

Até porque algumas mulheres nem os tem. #transfobianão

E como o blog é para maiores, um resumo para quem tem preguiça de ler:

Sem créditos porque não sei quem criou a imagem

* * *

Editado em 08/02/15:

Um grupo de mulheres RPGistas lançou uma carta aberta à comunidade através do famoso site Livro dos Espelhos. Clique aqui para ler.

Caso você tenha feito algum post ou lido algo interessante que possa acrescentar conteúdo ao debate, coloque o link aqui nos comentários ou na página do Dado Violado no Facebook para que eu possa publicá-lo. 😉

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Ouro de tolo

nhac!

Nem tudo que reluz é… pirita!

E chegamos em 2013. Para vocês terem uma idéia, eu comecei a rascunhar esse post em dezembro de 2012… anyway… vira e mexe acabo caindo em discussões sobre a famosa “Regra de Ouro”. Há quem defenda arduamente por aí tal diretriz, presente de uma forma ou de outra em vários RPGs, aclamando-a como “o” dogma/axioma/teorema/mandamento (marque um X no substantivo que mais lhe agradar) que rege universalmente o nosso hobby. Hum. Será mesmo?

Regra de Ouro, vocês sabem, é aquela que diz mais ou menos assim:

“Esta é a regra mais importante de todas, e a única que vale a pena seguir: Não existem regras. Este jogo deve ser tudo aquilo que você quer que ele seja (…) Se as regras neste livro interferirem com o seu prazer de jogar, mude-as.”
(Vampiro A Máscara revisado)

futebol

Parece fazer todo o sentido, e nós sabemos que é complicado falar em jeito “certo” ou “errado” de jogar, posto que cada grupo acaba por criar seu modus operandi, sem deixar de caracterizar o que fazem como “jogar RPG”. Muito legal. Só tem um problema: até que ponto dá pra mudar as regras da coisa e continuar jogando o mesmo jogo? Não digo RPG como metonímia, mas algum título em particular? O que eu vejo são pessoas modificando completamente aquilo que jogam, e usam da “Regra de Ouro” para justificar as coisas mais idiotas. É como se jogassem futebol sem bola. “Ei, o importante é que ainda temos 22 pessoas em campo, demos o nome de ‘futebol’, e estamos nos divertindo“.

pip

Eu não sou fiscal da diversão alheia, e no fim das contas você está mesmo jogando RPG (de modo geral) quando cria suas house rules. O lance é que não dá pra ficar resumindo tudo nisso, porque você pode empobrecer sua experiência de jogo. A estrutura mecânica pensada pelos designers, o setting escolhido por eles (quando o jogo não é “genérico), o “clima” do material… você precisa vivenciar tudo isso para realmente saborear o que está jogando da forma como aquilo foi imaginado por seus autores. Certamente a vivência de uma mesa de Call of Cthulhu sem Sanidade é completamente diferente daquilo que o jogo se propõe a fazer, por exemplo. Tem gente que gosta, claro. Mas tem gente que gosta de beber xixi – não sou eu quem vai dizer que é errado, mas posso argumentar que vinho do Porto tem todo um contexto histórico/cultural/gastronômico/biológico cuidadosamente elaborado para proporcionar uma experiência mais satisfatória sob todos estes paradigmas…

Talvez eu esteja demonstrando um certo purismo, mas não é esta minha intenção. Gosto de colocar a Regra de Ouro em cheque porque, de certa forma, ela desconstrói a essência do próprio RPG, daquilo que ela mesma se propõe a reger, o que a torna uma contradição. Eu acredito que a Regra de Ouro é uma chuva dourada (ops) capaz de diluir os elementos que compõe o RPG até não sobrar uma única molécula de jogo, quando utilizada ad nauseam. Afinal de contas, pra quê regras, cenários, climas, ambientações, fluff, dados, cartas, fichas, design de jogo, enfim, se existiria um princípio regulador único que diz que tudo isso é descartável?

Talvez seja só eu, mas excesso de descartabilidade me incomoda. Nada é sagrado – por isso mesmo tudo é sagrado – e assim nada é sagrado… Mas já estou divagando.

Tudo posso naquele que dorme em R’lyeh

Imagens meramente ilustrativas

* * *

Posts de outros blogs inspirados por este:
Tralhas RPGísticas da Graci
Pontos de Experiência

Rum & Abacaxi

Sei que não é um pirata, mas eu gosto de Bob Esponja!

Por que eu decidi parar de piratear livros de RPG? DISCLAIMER: antes de responder, é bom deixar claro que não tenho a menor intenção de catequizar ninguém. Como eu sempre digo, o DV é para maiores, e acho que você já é grandinho(a) o bastante para tomar suas próprias decisões. Também não pretendo fingir que sou melhor do que os piratas – na verdade, eu sou uma pessoa terrivelmente chata, mesquinha e banal, que não deseja de forma alguma sair por aí pregando algum tipo de padrão de comportamento. Não tenho vocação para padre, pastor ou pai. E, mais óbvio que novela da Globo, é claro que eu sei o que é um torrent…

Nota para os piratas em CthulhuTech

Eu resolvi parar de baixar ilicitamente os livros de RPG porque acho que isso não faz bem ao “mercado” – e, por consequência, à mim mesma. Pois é, parte da minha decisão foi baseada num princípio egoísta, ao contrário do que imaginam os paladinos (ops) do 4shared. Eu acredito que, num comércio restrito como o do RPG, deixar de pagar por um produto pode causar tanto dano à produção do mesmo que os próprios consumidores acabam entrando pelo cano – afinal, se os produtores de RPG não conseguirem se manter, euzinha vou jogar o quê?

É claro que não estou sugerindo a criação de um “PROER” versão RPG, nem estou pedindo à você que tenha “peninha” da CCP/White Wolf e pare de baixar livros do novo WoD. Mas se dá para ficar com a consciência tranquila sabendo que uma indústria que faturava 14 bilhões hoje fatura “só” 6 bi (a fonográfica), é possível dormir sem culpa sabendo que, num mercado onde tiragens são contadas às poucas centenas ou milhares, pirateia-se adoidado? É, meus caros, RPG não é disco do Luan Santana (quem?).

Eu não sou economista, não estudei Administração à fundo e nunca publiquei um livro – portanto, tudo o que eu disser aqui é amador e baseado apenas na minha interpretação, ok? RPG não é entretenimento de massa, capaz de movimentar milhões ou bilhões de dólares, e acho que nunca será. O jogo depende de fatores que excluem a maior parte da população de seu consumo, feliz ou infelizmente. Em primeiro lugar, depende da leitura, e nós sabemos que é difícil encarar a leitura como “entretenimento”, mesmo em países com nível educacional melhor do que o nosso. Em segundo lugar, requer cálculos, e a matemática geralmente simples da maioria dos jogos já se mostra como empecilho, ao menos até onde pude constatar.

E aí, isso ou God of War?

Em terceiro lugar, o RPG precisa competir com formas de entretenimento semelhantes a ele, porém de assimilação mais simples – e aqui é claro que eu me refiro principalmente aos jogos de vídeo-game. Não me entenda mal, não estou chamando aquele game de sei-lá-quantas-horas-de-jogo e plot complicado de “simples”, mas você há de convir comigo que é mais simples se entregar a algo que já vem pronto, com opções pré-definidas e forte apelo áudio-visual do que sentar, preparar suas próprias histórias, ter que destilar referências a partir da sua bagagem cultural, contar fortemente com o inesperado e ainda por cima constatar que tudo só existe na sua imaginação e na do seu grupo.

Aliás, aí vem o quarto problema: RPG se joga em grupo, ou seja, é uma forma de entretenimento que vai contra a corrente individualista pela qual flutuamos. Requer que você tenha amigos e, pior, que se encontre com eles! Já pensou? Melhor ficar quietinho no quarto jogando WoW…

Clique para ver maior

Em quinto lugar, apesar da “glorificação nerd” propagada (e propagandeada) pela cultura pop dos anos 20**, o RPG ainda é visto com reservas pela pequena parcela da população que o conhece. Ainda existe preconceito por parte de pais e educadores (experimente falar que joga RPG entre “leigos” e imediatamente ouvirá “foi você quem matou aquela menina em Minas Gerais?”). E aí os brinquedinhos “nerds” que são mais facilmente digeríveis pela população é que acabam sendo cooptados pelas grandes indústrias, como o vídeo-game, o cinema (quantos filmes baseados em HQ você já viu na última década?) e as séries de TV. Deu para entender porque RPG de mesa não vai faturar como vídeo-game ou cinema? E olha que eu citei só as questões mais urgentes.

Na verdade, eu não sou a favor de piratear nada, nem como bandeira ideológica. Os desenvolvedores de software, por exemplo, merecem viver de seu trabalho tanto quanto os médicos, os professores, os mecânicos ou os lixeiros, e é evidente que a indústria precisa rever seus métodos – assim como nós, consumidores, devemos refletir sobre o fato de que NÃO EXISTE ALMOÇO GRÁTIS, a conta sempre sobra para alguém (e onde é que a corrente arrebenta, mesmo? No elo mais fraco). E, voltando ao RPG, acho que quando falamos de hobbies específicos, que ocupam pequenos nichos mercadológicos sem grande expressão econômica, a pirataria é mais insidiosa e prejudicial. Será que só preguiça impede a Devir de publicar o resto do Mundo das Trevas?

"Não é o que você está pensando!"

Eu sei que você tem um monte de desculpas para piratear seu D&D: o livro é caro, todo mundo faz, a editora que se f0d@, não existe em português, sou contra a globalização, é só para experimentar, eu tenho “direito”, etc, etc, etc. Mas pensa bem: será que algumas destas desculpas não são mais vazias e esfarrapadas do que o meu bolso depois de comprar a versão de luxo de “Shotgun Diaries” que saiu no Brasil?

Eu escrevi lá em cima que não quero propor nenhum modelo de conduta, mas você me permite só um conselho final? Lá vai: que tal contar os pdfs “””alternativos””” no seu pc e tentar comprar um livro para, sei lá,  cada lote de dez/vinte arquivos ilegais? Não precisa nem pagar 99 dólares na edição especial de Vampiro, compre um livro usado num sebo ou faça parte do mercado RPGístico nacional e experimente o Terra Devastada, que sai por cerca de R$40,00 (com frete). Olha só, com quarenta reais você vai comprar um jogo capaz de proporcionar diversão por anos, vai ajudar a fomentar a produção nacional (mais jogos em português), e quem sabe não vai ajudar a sedimentar um mercado que, no futuro, pode recebê-lo como trabalhador (editor, tradutor, ilustrador, autor, etc)? É assim que começa.

Apêndice 1
Além de tudo, ética custa caro, mesmo. É, nem tem muito o que dizer. o_O

Apêndice 2
Existem muitas coisas que as editoras de RPG podem fazer para tentar esquentar o mercado e diminuir a pirataria, mas acho que isso pode ficar para um novo post (este já ficou gigantesco).

Apêndice 3
Lembre-se que 1. Steve Jackson nunca apareceu na lista dos 10 Mais Ricos da Forbes; 2. RPG não é produto de primeira necessidade e 3. Existem muitos jogos gratuitos e de ótima qualidade, você já experimentou algum?

Apêndice 4
Rum + suco de abacaxi + leite de coco + leite condensado + gelo = piña colada, um dos meus drinks favoritos. Adivinha o que tinha naqueles copinhos descartáveis que aparecem na terceira imagem…

A terceira foto foi feita por mim. Demais imagens meramente ilustrativas.

Cadê o limite que estava aqui?

De que limite estamos falando, mesmo?

Eles não me contaram sobre o resto, mas certamente eles sabiam do que se tratava. Os caras na Inteligência do Novo Governo da Terra não são idiotas. Mas se eles tivessem me contado tudo, eu jamais teria sido voluntário. Eu até esperava tatuagens ou algum rito de passagem. Mas piercings extremos e escarificação são algo completamente diferente. Meus dentes foram todos afiados. Não sei há quanto tempo não vejo um espelho, mas tenho certeza de que não pareço mais humano. Não que eu me sinta depois de tudo o que tive de fazer. Ajudei a exterminar vilas inteiras, torturar brutalmente e matar pessoas inocentes. Comi carne humana – repetida e regularmente. Estuprei mulheres até a morte. E fiz pior com crianças depois de elas já estarem mortas.
(CthulhuTech rulebook, pg 203)

O que diriam os “ativistas” anti-D&D se soubessem o que habita os jogos mais ‘desconhecidos’? Você não precisa baixar um pdf de F.A.T.A.L. (com suas regras de elasticidade anal) para se deparar com violência, heresia, sexo, perversão e todo tipo de tema-apavora-mãe dando sopa e esperando o momento certo para aparecer na sua mesa de jogo.

Os radicais americanos têm um horror atávico a tudo que lembre “Fantasia” (acho que, se pudessem, ainda estariam queimando “bruxas” no intervalo das aulas de Criacionismo [projeção? rs]), mas há muito mais disponível do que magos com bolas de fogo, vampiros arrependidos ou monstros destruidores de cidade para os jogadores de RPG. Não que eu queira oferecer munição aos haters, mas e aí, é possível trazer para a mesa de jogo pedofilia e estupro? Ou amor e traição? Aliás, vale a pena abordar esses temas? Como fazê-lo? E, acima de tudo, tem um limite para isso?

Keith e Kevin sempre foram cruéis comigo. Eles eram gêmeos, e meus irmãos mais velhos, mas não poderiam ser mais diferentes de mim. Baixos quando eu era alta, morenos quando eu era loira. Algumas lembranças são mais dolorosas que outras; como quando eles mataram meu cachorro Sparky e colocaram sua cabeça decepada sobre a minha cama. Ou quando eles me amarraram no estábulo e me bateram com o chicote do cavalo. E quando eles me forçaram a vê-los abrindo a barriga de nossa gata grávida e a deixaram sangrar até morrer. Eles me trancaram no porão com o cadáver da gata, que atraiu os ratos. Quando eu fiquei mais velha, Kevin me forçou a fazer coisas com ele, que ele disse que todo mundo fazia com irmãos mais velhos. Eu fiquei terrivelmente confusa e envergonhada, e pensei em me matar.
(Kult rulebook, pg 33-34)

Quando eu era adolescente, minha mãe dizia que as sessões de jogo com meus amigos eram “a catarse dos nerds”. Nunca fui uma excluída social (apesar de tudo), mas um jogo de RPG pode ser encarado como uma experiência catártica, além de simples passatempo – e aí a temática madura cai como uma luva de lâminas na mão do Freddy Krueger. Experimentar a transgressão num ambiente seguro e virtual (no sentido de fictício) é uma forma de libertação, e provavelmente é o mais interessante nesta história de acrescentar a parte maligna do mundo nos nossos jogos.

Além da possibilidade de vivenciar o medo e o nojo de forma segura, incluir temas muito cabeludos nos jogos também serve para torná-los mais realistas – e às vezes é bom fugir do escapismo da fantasia tradicional, trazendo para o nosso grupo de jogo (que geralmente é nosso grupo de amigos) a possibilidade de discutir coisas como preconceito, maldade, sexo.  Eu acredito na força da palavra e, sendo o RPG um jogo calcado no discurso, me parece imperdível a oportunidade de resgatar esses temas que nós gostamos de manter guardadinhos no fundo de algum armário psíquico/emocional.

Outro bom motivo para falar de assuntos difíceis é aprender a torná-los mais palatáveis na vida real. Claro que aqui eu não falo de estupro e ultra-violência, mas é interessante conseguir conversar sobre sexo e sentimentos (sim, sentimentos são temas pouco explorados nos jogos de RPG – seria por algum vício machista?) com mais naturalidade. Tanto para homens quanto para mulheres, e principalmente num grupo misto – pode ser uma ocasião única para observar as reações dos outros e aprender com elas.

Quais dos seguintes pecados seu personagem cometeu?
Escolha nenhum, um, qualquer um, ou todos eles:
Adultério
Blasfêmia
Idolatria
Assassinato
Motim
Estupro
Roubo
Sodomia
Você pode contar o mesmo pecado duas vezes, se o seu personagem anda pecando de modo prolongado, repetido, excessivo e sem remorso, e o vem fazendo até hoje.
(Poison’d A Pirate RPG, pg 4)

“Tudo bem, eu entendo seu ponto de vista, Livia. Mas COMO falar disso na mesa sem deixar ninguém sem graça? Sem fazer todo o grupo pensar que sou um(a) tarado(a)?” É só lembrar do “poder das palavras” (auto-ajuda style, hehehe) e chamar o pessoal para conversar, ver o que cada um espera da sessão, se todos estão dispostos a acrescentar novas camadas ao jogo, torná-lo mais denso. Convide a galera a ler o DV, por exemplo. Na minha experiência, muitos grupos se tornam mais profundos com o simples passar do tempo, naturalmente. Mas em outros pode ser necessário verbalizar esse anseio, e não tem nada de errado nisso. O importante é entrar em consenso.

Clique e reflita a respeito

Não dá para chegar com a contracapa do clanbook Tzimisce na sua mesa de Tormenta que só joga aventuras infantis no mundo do chocolate e querer obrigar o pessoal a interpretar vampiros assassinos que só se alimentam de bebês. Transgredir é legal, ser exageradamente agressivo não – aliás, optar pelo excesso não vai trazer maturidade à mesa, pelo contrário: é das crianças que esperamos tanta inconsequência. E o limite entre transgressão e babaquice é individual, por isso você precisa ir com cautela, respeitar os desejos do grupo, avaliar limites de idade, limites de crença religiosa… para saber até onde sua mesa está disposta a ir, é preciso avançar com cuidado e paciência. Algumas pessoas só querem mesmo passar algumas horas num “mundo melhor”, onde a honra ainda vale alguma coisa, e isso não faz de ninguém um tolo imaturo.

“Ih, Livia… minha mesa só tem maluco, já estamos decapitando bebês há séculos. O que fazer?” Parar e pensar. Além do batido conselho de conversar com o grupo, tentar entender porque tanta “fleuma“. Será que a violência está sendo usada sem conexão com a realidade? Será que os personagens aparecem como capangas de vídeo-game, sem passado ou presente que os torne seres palpáveis e que causem empatia nos jogadores? Praticamente todo jogo propõe punições para personagens que se tornem excessivamente degenerados – será que o mestre do seu grupo está fazendo valer essas regras? Pense no mundo real: ninguém tolera o terror por muito tempo, as pessoas se revoltam e de alguma forma tentam encontrar o equilíbrio. Talvez seja hora de colocar os NPCs como antagonistas mais fortes. É claro que o seu grupo pode simplesmente gostar do deboche – aí, caso você esteja se sentindo deslocado(a) e não veja como mudar, talvez seja hora de mudar de grupo.

Under my Skin (Sob a Minha Pele) é um jogo sobre fé, amor e compromisso. Neste jogo, você interpreta um personagem que está num relacionamento, mas sente atração por outra pessoa. Os jogadores exploram os medos que os personagens experimentam sobre perda e traição, e navegam pelos complicados dilemas da franqueza, confiança e comunicação que desafiam todos os relacionamento de tempos em tempos.
(…)
Este jogo requer que os jogadores  falem sobre questões emocionais sérias durante o mesmo. Por favor, jogue com consciência, e divirta-se perigosamente.
(Under my Skin, pg 5)

Apêndice 1
Outra forma de abordar uma temática mais adulta é através da ficção. Discuta obras com um conteúdo mais realista e “mundano”, como os livros da série “Crônicas de Gelo & Fogo” (fantasia medieval), os livros da Marion Zimmer Bradley (tem de ficção arturiana a ficção científica) ou filmes como “Conquista Sangrenta” (fantasia medieval para crescidinhos). Enquanto todo mundo quiser repetir “O Senhor dos Anéis”, não dá para colocar orcs estupradores na aventura. Obs: eu amo Tolkien assim mesmo.

Imagens meramente ilustrativas