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O dia em que virei um zumbi

Trevosos gonna trevosar

Como vocês sabem, nosso amigo Mark Rein-Hagen está desenvolvendo um novo jogo – I AM ZOMBIE. O título é auto-explicativo, né? Nele, você interpreta um zumbi consciente, tentando sobreviver num mundo disfuncional muito parecido com o nosso. IAZ vai sair pela empresa Make-Believe Games. Ah, Mark também é um convidado especial no EIRPG deste ano, marcando o retorno do evento.

No Facebook, Rein-Hagen tem prometido “inovação”, com “mecânica simples e funcional”. A criação de personagens é baseada em cards, o que me lembra a primeira versão de Changeling the Dreaming e seu sistema de magia com as Cantrip Cards. No IAZ, cada carta é um arquétipo, contém habilidades, e você escolhe algumas destas cartas para montar seu personagem. “Fichas de personagem são coisa do passado”, disse Mark. Será que o jogo vem com todas as cartas ou a gente vai ter que ficar se matando para colecionar decks? =/

IAZAté o momento, eu achei a dinâmica do texto bem semelhante ao trabalho dele no Mundo das Trevas. O I AM ZOMBIE poderia, ao que parece, fazer parte do WoD sem muitas arestas a aparar. Algo do tipo “Zombie, the Toxic”, com um Caim particular e tudo, o lendário zumbi primordial Prometeu (o próprio). O que não tem nada de ruim, pelo contrário, se assim como eu você também é fã de metaplot extenso e intrincado; mas vai na contramão do que há de mais cool-moderno-hipster no design de RPG atual. Incluindo aí retroclones. De qualquer forma, para continuar surfando na onda da modernidade, o jogo será lançado via financiamento coletivo no site Kickstarter.

Aguardemos.

Enquanto isso, traduzi (com autorização do autor) o léxico proposto para o jogo, e você pode encontrar o original aqui. Os glossários sempre foram um dos elementos mais atraentes dos jogos do WoD para mim, e é interessante ver como boa parte do processo criativo do Rein-Hagen está ancorada simplesmente nas palavras que, para ele, definem a ambientação.

I AM ZOMBIE

 I AM ZOMBIE – Léxico do jogo

Além – aquilo que chamamos de vida depois que você se torna um de nós, um Tóxico.

Amirani – legendário primeiro Zumbi, adorado por alguns. Diz a lenda que ele foi o Prometeu original e ainda está acorrentado ao Monte Cáucaso, ele deu o fogo aos humanos e meia-vida para nós. Três anjos fizeram dele seus “olhos entre os homens”, mas o Icor concedido por eles corrompeu o corpo, a alma e o espírito de Prometeu, e quando ele acordou todos estavam mortos; foi o primeiro surto.

Amilóide – nossa carne morta, nosso Odium. Os pedaços antigos, semimortos e levemente infecciosos dos Tóxicos e da Praga: aquilo que reunimos e coletamos durante a Purgação e que pode ser usado na Gris-Gris.

Arakan – legendário grau de iluminação, onde um Tóxico consegue controlar sua doença e infecção. Dizem que eles não possuem mais Odium.

Benigno – quando você está na forma humana, com baixos níveis de infecção e Odium.

B.L.E.A.C.H. – departamento secreto do governo que utiliza grupos de combate especialmente equipados para enfrentar surtos através de exterminação total, desinfetando com fogo e substâncias químicas.

Brejo – Sanatório localizado em um pântano

Respiradores – humanos normais, não infectados

Carnal – o ato sexual violento e ilegal em que alguns Profanos se engajam quando estão carregados de Odium.

Cânone, O – Leis dos Profanos, conforme determinadas pelos Solan e o conselho, e interpretadas pela Paxilla.

Carreador – nosso nome formal, “Carreador e Carniça, companheiros imortais”.

Poluído – o momento em que um humano é infectado e se torna um Zumbi, seja ele um Trapo, um Servo ou um Profano.

Nota do Pavor – ruído supersônico emitido pelos participantes de uma Purgação, tão assustador e terrível que espanta os humanos e deixa até mesmo alguns Tóxicos incomodados.

Carniceiro – criatura monstruosa que parece viver sob cada Sanatório, amamentada através da Moela

Turba – um grupo de Tóxicos que andam juntos, trabalhando em equipe

Mordida – a fome eterna. Quanto mais usamos nossos Vetores, mais precisamos comer, de preferência carne humana.

Chwal – “cavalo” em haitiano, nome que se dá ao servo ou lacaio que está sendo cavalgado, ou seja, controlado por um mestre usando Mambo.

Diácono – pessoa que representa o Sanatório ou Colônia durante uma Purgação, tem assento no conselho do Inquérito, elege o Solon, e tem direito a voto.

Negrume – nós dormimos, mas às vezes também passamos longos períodos nos restabelecendo sob a terra fresca, em um tipo de coma ou hibernação. Este tempo pode ser usado para controlar Fantoches de Carne, se você possuir os Vetores certos. Pode durar meses ou anos. Murkins são os melhores nisto.

Lamento – canção entoada durante a Purgação

Droog – um amigo, um termo de afeição e respeito, “compadre”

Emergência – momento em que um Surto está prestes a irromper

Fenya – a antiga linguagem secreta ainda falada por alguns Profanos mais antigos

Feral – aquele que vive sozinho, muitas vezes fora do circuito, separado de um Sanatório. Ferais muitas vezes são vistos apenas na Purgação.

Forca – o local de trabalho, espaço privado que você pode possuir dentro de um Sanatório, uma área particular. Pode ser um laboratório completo ou apenas um quartinho de despejo.

Coxo – um lacaio que perdeu tanta inteligência e livre arbítrio que não é mais capaz de viver normalmente no mundo dos humanos.

Casca – quando alguém está muito Maligno, tão cheio de Odium que se torna inconsciente. É como um estado de berserk prolongado. Pode durar anos; sabe-se de Trapos muito antigos que de repente sacodem a poeira e retornam à meia-vida.

Gris-Gris – um talismã no formato de uma bolsinha, geralmente feito com a pele de um Profano muito poderoso, às vezes já falecido. A bolsinha contém dentes, Icor, e outras partes do corpo de alguém. Servos muitas vezes recebem Gris-Gris com as partes de seus mestres, para serem controlados mais facilmente.

Lodopodre – o estranho bolor negro que tende a crescer perto de e em Sanatórios dentro do Miasma.

Sanatório – lar e refúgio para os Tóxicos. Um Sanatório controla e é responsável pela área ao seu redor. Muitas vezes é o ponto de encontro para uma Purgação.

Horda – três ou mais Tóxicos, geralmente que não vivem em um Sanatório. Costumam ser selvagens, jovens e com pouco Odium.

Icor – a manifestação física da Praga após a Purgação, onde ela é destilada como uma “gosma brilhante” e então transformada em contas ou pedras. Pode ser recolhida e usada para fortalecer os efeitos de Manifestação. Extremamente rara e valiosa, geralmente possuída apenas por Sanatórios, Cartéis e raros indivíduos muito poderosos.

Imune – um humano que não pega o Vírus, revelado pelo Doctus. Usados como mensageiros, etc.

Inquérito – o Conselho dos Diáconos, e também uma corte de Justiça, liderada pelo Solon, que acontece na Purgação.

Lich – Tóxicos muito velhos e apodrecidos, com frequência gravemente enlouquecidos, com apenas parte de seu corpo intacta, talvez apenas um crânio ou uma mão. Tratados como bibliotecas vivas.

Maganan – O Poder de ser, o poder dos antigos

Maligno – quando você está carregado de Odium e começa a agir como um Trapo, muitas vezes sem auto-controle.

Manifestação – seus poderes particulares, concedidos pela sua infecção

Moela – o orifício decorado por onde o Icor é despejado para alimentar os Carniceiros dos Sanatórios

Fantoche de Carne: um serviçal sob controle direto e imediato de um mestre

Miasma – a perigosa área infectada ao redor de um Sanatório, ou outros locais onde vivem Tóxicos, ou áreas de Surtos. Este “ar” aparece como poluição e corrosão, mas dá uma força extra para nossas Manifestações. Alguns tipos de “rituais” são mais facilmente realizados dentro do Miasma.

Servo – um humano que está infectado, mas apenas até certo ponto. Às vezes quem não foi mordido ou arranhado mas vive entre os Mestres torna-se um Servo. Servos também podem ser criados a partir de Trapos, Zumbis completos, através de certos rituais. Servos muitas vezes são usados como Fantoches de Carne, extensões da vontade dos Mestres. O termo antigo é Bardaj.

Surto – quando uma infecção zumbi sai do controle, e eles começam a contagiar grande parte da sociedade humana

Paxilla – os executores, oficiais de justiça e equipe de segurança da Purgação e do Inquérito, poderosos e muitas vezes representam a Lei por si sós. Quando eles gritam Pax, todos devem se calar.

Nascido da Praga – o nome antigo, comum, que usamos para nós. Ver também: Tóxico, Carreador.

Purgação – reunião mensal a que somos obrigados a comparecer, para onde devemos levar todo o Odium que conseguimos “coletar”. De acordo com os velhos tratados, enquanto fizermos isso não seremos caçados, portanto continuamos a fazê-lo por puro medo. Uma Purgação sempre tem fogo, e um receptáculo, um Lamento, e dança. Alguns dizem que a arte medieval da Danse Macabre é baseada neste antigo ritual.

Profano – como nos chamamos, ver também Tóxicos, Carreadores, Nascidos da Praga

Pira – sagrado fogo purificador, mantido aceso ininterruptamente no Sanatório, trazido da Purgação direto de Zadani, a perdida primeira Necrópole. Usado para purificar o Odium coletado.

Flagelo – a praga dentro de nós, nossa infecção, a doença, a voz dentro da minha cabeça, que nos concede vitalidade e Vetores.

Rashi – animais Zumbis, geralmente criados reunindo pedaços de diferentes bichos, utilizados para proteger os Sanatórios. Difíceis de domar, mas muito leais aos seus donos. Podem ser convocados ou controlados queimando suas penas ou garras.

FVR – “Forma de Vida Reanimada”

Seis de Seis de Seis – a antiga profecia sobre como a extinção final ocorrerá ou sobre como preveni-la.

Ferida – um Feral desprezível, um termo usado para provocar alguém

Manquejar – a caminhada até a Purgação, conforme você reúne Odium.

Manco – alguém que temporariamente perdeu os sentidos por causa do Odium alto e está se comportando como um Trapo.

Sexta Extinção – o surto final, um mundo despedaçado pela infecção, que logo virá.

Torrar – quando a polícia desce a repressão, punindo todos os Tox que consegue pegar, culpados ou não.

Trapo – um Zumbi sem nenhuma consciência, quando comparado a um Servo, que ainda retém alguma.

Linhagem – o Fenótipo da Praga que infectou você, entendido em termos de como ele recentemente se ramificou do tronco evolucionário: desde a Ruina de Abaddon até o Vírus Kreiger [ok, não resisti: será uma referência a Shadowrun?]. Também Fenótipo.

Síndrome – a progressão da doença em você, do início até a fase terminal.

Assentamento – local ocupado por uma Horda, temporária ou permanentemente; tende a ser pútrido e decadente.

Odium – o sopro de corrupção e decadência que sempre existe em cada um de nós, não importa o quanto possamos parecer humanos, ou se fomos contaminados a pouco tempo. Odium deve ser purgado, ou desenvolveremos Síndromes.

Síndrome de Tibilisi – quando alguém se recusa a ceitar que agora é um Tóxico, e tenta manter sua vida humana, muitas vezes infectando sua família e acabando por causar um Surto.

Crachá de defunto – inútil, que não serve para nada, ver Ferida.

Tóxico – gíria moderna para se referir a nós, muitas vezes abreviada para Tox, ver também Profano, Carreador, Nascido da Praga.

Tostadinho – gíria para novatos e Ferais suspeitos de serem rapidamente vitimados pelo ciclo. A maioria dos Profanos vive no máximo 20 anos, a não que sejam muito espertos e cuidadosos. Falar que somos imortais é um erro, apenas uma minúscula fração de nós passa dos 100 anos.

Vetor – os poderes únicos que vêm com nossa doença.

Vírus – o nome que damos à Praga dentro de nós

EVE – Exame Visual de Extremidades, realizado regularmente para garantir que não estamos machucados, pois o Protoviron reduz nossa sensibilidade à dor.

Zadani – a primeira necrópole perdida, terra natal do fogo sacrado. Também significa uma tarefa impossível, uma missão impossível de completar.

Corredor – um Trapo ou Tóxico que se movimenta rapidamente.

* * *

Vocês têm alguma sugestão de tradução? Ou novidades sobre a mecânica?

Também comecei a traduzir o conto introdutório do cenário, mas fiquei com preguiça. O Glossário era mais rápido, né?

Imagens meramente ilustrativas

Ouro de tolo

nhac!

Nem tudo que reluz é… pirita!

E chegamos em 2013. Para vocês terem uma idéia, eu comecei a rascunhar esse post em dezembro de 2012… anyway… vira e mexe acabo caindo em discussões sobre a famosa “Regra de Ouro”. Há quem defenda arduamente por aí tal diretriz, presente de uma forma ou de outra em vários RPGs, aclamando-a como “o” dogma/axioma/teorema/mandamento (marque um X no substantivo que mais lhe agradar) que rege universalmente o nosso hobby. Hum. Será mesmo?

Regra de Ouro, vocês sabem, é aquela que diz mais ou menos assim:

“Esta é a regra mais importante de todas, e a única que vale a pena seguir: Não existem regras. Este jogo deve ser tudo aquilo que você quer que ele seja (…) Se as regras neste livro interferirem com o seu prazer de jogar, mude-as.”
(Vampiro A Máscara revisado)

futebol

Parece fazer todo o sentido, e nós sabemos que é complicado falar em jeito “certo” ou “errado” de jogar, posto que cada grupo acaba por criar seu modus operandi, sem deixar de caracterizar o que fazem como “jogar RPG”. Muito legal. Só tem um problema: até que ponto dá pra mudar as regras da coisa e continuar jogando o mesmo jogo? Não digo RPG como metonímia, mas algum título em particular? O que eu vejo são pessoas modificando completamente aquilo que jogam, e usam da “Regra de Ouro” para justificar as coisas mais idiotas. É como se jogassem futebol sem bola. “Ei, o importante é que ainda temos 22 pessoas em campo, demos o nome de ‘futebol’, e estamos nos divertindo“.

pip

Eu não sou fiscal da diversão alheia, e no fim das contas você está mesmo jogando RPG (de modo geral) quando cria suas house rules. O lance é que não dá pra ficar resumindo tudo nisso, porque você pode empobrecer sua experiência de jogo. A estrutura mecânica pensada pelos designers, o setting escolhido por eles (quando o jogo não é “genérico), o “clima” do material… você precisa vivenciar tudo isso para realmente saborear o que está jogando da forma como aquilo foi imaginado por seus autores. Certamente a vivência de uma mesa de Call of Cthulhu sem Sanidade é completamente diferente daquilo que o jogo se propõe a fazer, por exemplo. Tem gente que gosta, claro. Mas tem gente que gosta de beber xixi – não sou eu quem vai dizer que é errado, mas posso argumentar que vinho do Porto tem todo um contexto histórico/cultural/gastronômico/biológico cuidadosamente elaborado para proporcionar uma experiência mais satisfatória sob todos estes paradigmas…

Talvez eu esteja demonstrando um certo purismo, mas não é esta minha intenção. Gosto de colocar a Regra de Ouro em cheque porque, de certa forma, ela desconstrói a essência do próprio RPG, daquilo que ela mesma se propõe a reger, o que a torna uma contradição. Eu acredito que a Regra de Ouro é uma chuva dourada (ops) capaz de diluir os elementos que compõe o RPG até não sobrar uma única molécula de jogo, quando utilizada ad nauseam. Afinal de contas, pra quê regras, cenários, climas, ambientações, fluff, dados, cartas, fichas, design de jogo, enfim, se existiria um princípio regulador único que diz que tudo isso é descartável?

Talvez seja só eu, mas excesso de descartabilidade me incomoda. Nada é sagrado – por isso mesmo tudo é sagrado – e assim nada é sagrado… Mas já estou divagando.

Tudo posso naquele que dorme em R’lyeh

Imagens meramente ilustrativas

* * *

Posts de outros blogs inspirados por este:
Tralhas RPGísticas da Graci
Pontos de Experiência

Queria Jogar RPG ou balanço de final de ano

=(

E como eu queria! Aliás, continuo querendo. Mas a vida não deixa.

Tá, um monte de gente tem trabalho-família-vida social e ainda arruma tempo para jogar-mestrar-escrever-diagramar-playtestear RPG e o escambau, mas eu simplesmente não consigo arranjar horário nem para one-shot de Fiasco. É claro que eu tento organizar as coisas de forma a jogar pelo menos algumas vezes por ano, mas não consigo passar disso. E todo final de ano (desde que “cresci”) me faço a mesma promessa: “ano que vem jogarei RPG pelo menos uma vez por mês!” – mas é claro que eu não cumpro. Não, eu nunca prometi fazer dieta. *pano rápido*

Durante 2012 inteiro (e 2012 acaba daqui a, tipo, DOIS MESES) eu não devo ter jogado mais do que cinco sessões. Sim, li vááários livros de RPG, blogs, análises, críticas e até um ou outro artigo científico sobre o tema, até joguei jogos “de dois”, mas não é a mesma coisa. Poucas atividades superam uma boa mesa de RPG, principalmente quando ela envolve pessoas legais e uns lanchinhos bacanas. E, sinceramente, quanto menos eu jogo, mais vontade tenho de financiar qualquer projeto que surja com a mágica sigla tríplice na tela do meu computador. E dá-lhe chororô na hora de abrir a fatura do cartão…

“Ok, Livia, então isso aqui virou diário, agora? Divã de analista?”

Dados do Egito antigo

Não, mas acho que o fenômeno da falta de tempo para exercer uma de suas atividades favoritas é sempre merecedor de análise. Não sou a única a passar por isso; todos conhecemos jogadores que abandonaram as dungeons em nome das responsabilidades dessa tal “vida adulta”. Mas eu quero muito incluir o RPG nessa etapa da minha vida, a despeito das obrigações familiares e/ou financeiras. #COMOFAZ

A onda independente ajuda: jogos mais curtos, zero-prep, low mechanics, temáticas adultas. Mas não é o suficiente. Quem tem um trabalho que demanda muitas horas como o meu (residência médica) ou o do meu namorado (consultor de dia, professor de noite) acaba reservando seu escasso tempo livre para ficar com a família, estudar e dormir (para os fracos, eu sei, mas não gosto de café…). O que será que ando fazendo com meu tempo que ele não rende? Devo comprar uma agenda?

E vocês, sentem saudade de rolar os dados, ou conseguiram incluir uma rotina de jogo em suas vidas?

Apêndice 1
Não se assustem com o “balanço final”, pretendo postar mais coisas este ano!

Apêndice 2
Saudades da adolescência! Jogar RPG praticamente todo final de semana, às vezes emendando sexta-sábado-domingo… *velha*

Imagens meramente ilustrativas (sorru galera do QJRPG!)

[News] Rein-Hagen ressurge com novo jogo

Mark Rein “Bolinha” Ragen, criador de Vampiro A Máscara, anunciou hoje no facebook que vai lançar seu próximo jogo, uma mistura de RPG de mesa com boardgame chamado “Democracy”, via crowdfunding. A plataforma escolhida foi o onipresente Kickstarter, e a campanha de arrecadação será aberta 30 de agosto.

Quem é vivo sempre aparece

Eu tô achando isso tudo um tédio

Daí que a Record, aquela emissora de TV controlada por uma igreja, resolveu que os vilões de sua novelinha para adolescentes seriam jogadores de RPG. Calma, não é RPG como nós conhecemos, você vai constatar daqui a pouco…

A novelinha é uma versão nacional de “Rebelde”, aquela que nos atormentou uns anos atrás com a música “e soy rebeeeelde” (lembrou?). Não vou criticar artisticamente a coisa, até porque nem vejo nada de artístico na tal novela, mas gostaria de compartilhar um trecho da história com vocês. Eu também não vou tentar explicar que RPG não tem nada a ver com isso (vocês já sabem que não tem), e nem vou sugerir que seria positivo mostrar um grupo jogando de modo saudável – e realista. É chover no molhado, é perder tempo. Já ouviram a expressão “reclamar com o bispo”? Acho que ela nunca fez tanto sentido… Apenas agradeço São Sagan por ser maior de idade e por ter pais que não assistiram novela da Record.

“Vocês nunca ouviram falar em RPG?”

Bom, me parece óbvio que os “roteiristas” ouviram falar muito pouco, hehehe… de qualquer forma, repetindo um dos personagens da novela, eu tô achando isso tudo um tédio.

E vocês?

PS: e esses adolescentes com cara de mais velhos que eu? CASTING – you’re doing it wrong! xD

Revelando os Diários da Espingarda

Presentinho que uma tal de Livia me deu...

A gente fica um tempinho sem postar e já sente saudade. o_O

Estou cheia de posts rascunhados, esperando uma folga para a finalização, mas a correria do cotidiano me impede de terminá-los. Maldita/bendita vida adulta!

Mas como eu não sou de ferro, e apesar de estar meio offline, não deixei de reservar meus tostões (tanto os metafóricos quanto os literais) para o RPG – e entre minhas últimas compras está a bela latinha da edição de luxo nacional de Shotgun Diaries, que saiu no país pela editora Redbox.

Abaixo, o videozinho amador em que eu registrei (com um inexplicável mega sotaque mineirês) esse momento de alegria, hehe.

Rum & Abacaxi

Sei que não é um pirata, mas eu gosto de Bob Esponja!

Por que eu decidi parar de piratear livros de RPG? DISCLAIMER: antes de responder, é bom deixar claro que não tenho a menor intenção de catequizar ninguém. Como eu sempre digo, o DV é para maiores, e acho que você já é grandinho(a) o bastante para tomar suas próprias decisões. Também não pretendo fingir que sou melhor do que os piratas – na verdade, eu sou uma pessoa terrivelmente chata, mesquinha e banal, que não deseja de forma alguma sair por aí pregando algum tipo de padrão de comportamento. Não tenho vocação para padre, pastor ou pai. E, mais óbvio que novela da Globo, é claro que eu sei o que é um torrent…

Nota para os piratas em CthulhuTech

Eu resolvi parar de baixar ilicitamente os livros de RPG porque acho que isso não faz bem ao “mercado” – e, por consequência, à mim mesma. Pois é, parte da minha decisão foi baseada num princípio egoísta, ao contrário do que imaginam os paladinos (ops) do 4shared. Eu acredito que, num comércio restrito como o do RPG, deixar de pagar por um produto pode causar tanto dano à produção do mesmo que os próprios consumidores acabam entrando pelo cano – afinal, se os produtores de RPG não conseguirem se manter, euzinha vou jogar o quê?

É claro que não estou sugerindo a criação de um “PROER” versão RPG, nem estou pedindo à você que tenha “peninha” da CCP/White Wolf e pare de baixar livros do novo WoD. Mas se dá para ficar com a consciência tranquila sabendo que uma indústria que faturava 14 bilhões hoje fatura “só” 6 bi (a fonográfica), é possível dormir sem culpa sabendo que, num mercado onde tiragens são contadas às poucas centenas ou milhares, pirateia-se adoidado? É, meus caros, RPG não é disco do Luan Santana (quem?).

Eu não sou economista, não estudei Administração à fundo e nunca publiquei um livro – portanto, tudo o que eu disser aqui é amador e baseado apenas na minha interpretação, ok? RPG não é entretenimento de massa, capaz de movimentar milhões ou bilhões de dólares, e acho que nunca será. O jogo depende de fatores que excluem a maior parte da população de seu consumo, feliz ou infelizmente. Em primeiro lugar, depende da leitura, e nós sabemos que é difícil encarar a leitura como “entretenimento”, mesmo em países com nível educacional melhor do que o nosso. Em segundo lugar, requer cálculos, e a matemática geralmente simples da maioria dos jogos já se mostra como empecilho, ao menos até onde pude constatar.

E aí, isso ou God of War?

Em terceiro lugar, o RPG precisa competir com formas de entretenimento semelhantes a ele, porém de assimilação mais simples – e aqui é claro que eu me refiro principalmente aos jogos de vídeo-game. Não me entenda mal, não estou chamando aquele game de sei-lá-quantas-horas-de-jogo e plot complicado de “simples”, mas você há de convir comigo que é mais simples se entregar a algo que já vem pronto, com opções pré-definidas e forte apelo áudio-visual do que sentar, preparar suas próprias histórias, ter que destilar referências a partir da sua bagagem cultural, contar fortemente com o inesperado e ainda por cima constatar que tudo só existe na sua imaginação e na do seu grupo.

Aliás, aí vem o quarto problema: RPG se joga em grupo, ou seja, é uma forma de entretenimento que vai contra a corrente individualista pela qual flutuamos. Requer que você tenha amigos e, pior, que se encontre com eles! Já pensou? Melhor ficar quietinho no quarto jogando WoW…

Clique para ver maior

Em quinto lugar, apesar da “glorificação nerd” propagada (e propagandeada) pela cultura pop dos anos 20**, o RPG ainda é visto com reservas pela pequena parcela da população que o conhece. Ainda existe preconceito por parte de pais e educadores (experimente falar que joga RPG entre “leigos” e imediatamente ouvirá “foi você quem matou aquela menina em Minas Gerais?”). E aí os brinquedinhos “nerds” que são mais facilmente digeríveis pela população é que acabam sendo cooptados pelas grandes indústrias, como o vídeo-game, o cinema (quantos filmes baseados em HQ você já viu na última década?) e as séries de TV. Deu para entender porque RPG de mesa não vai faturar como vídeo-game ou cinema? E olha que eu citei só as questões mais urgentes.

Na verdade, eu não sou a favor de piratear nada, nem como bandeira ideológica. Os desenvolvedores de software, por exemplo, merecem viver de seu trabalho tanto quanto os médicos, os professores, os mecânicos ou os lixeiros, e é evidente que a indústria precisa rever seus métodos – assim como nós, consumidores, devemos refletir sobre o fato de que NÃO EXISTE ALMOÇO GRÁTIS, a conta sempre sobra para alguém (e onde é que a corrente arrebenta, mesmo? No elo mais fraco). E, voltando ao RPG, acho que quando falamos de hobbies específicos, que ocupam pequenos nichos mercadológicos sem grande expressão econômica, a pirataria é mais insidiosa e prejudicial. Será que só preguiça impede a Devir de publicar o resto do Mundo das Trevas?

"Não é o que você está pensando!"

Eu sei que você tem um monte de desculpas para piratear seu D&D: o livro é caro, todo mundo faz, a editora que se f0d@, não existe em português, sou contra a globalização, é só para experimentar, eu tenho “direito”, etc, etc, etc. Mas pensa bem: será que algumas destas desculpas não são mais vazias e esfarrapadas do que o meu bolso depois de comprar a versão de luxo de “Shotgun Diaries” que saiu no Brasil?

Eu escrevi lá em cima que não quero propor nenhum modelo de conduta, mas você me permite só um conselho final? Lá vai: que tal contar os pdfs “””alternativos””” no seu pc e tentar comprar um livro para, sei lá,  cada lote de dez/vinte arquivos ilegais? Não precisa nem pagar 99 dólares na edição especial de Vampiro, compre um livro usado num sebo ou faça parte do mercado RPGístico nacional e experimente o Terra Devastada, que sai por cerca de R$40,00 (com frete). Olha só, com quarenta reais você vai comprar um jogo capaz de proporcionar diversão por anos, vai ajudar a fomentar a produção nacional (mais jogos em português), e quem sabe não vai ajudar a sedimentar um mercado que, no futuro, pode recebê-lo como trabalhador (editor, tradutor, ilustrador, autor, etc)? É assim que começa.

Apêndice 1
Além de tudo, ética custa caro, mesmo. É, nem tem muito o que dizer. o_O

Apêndice 2
Existem muitas coisas que as editoras de RPG podem fazer para tentar esquentar o mercado e diminuir a pirataria, mas acho que isso pode ficar para um novo post (este já ficou gigantesco).

Apêndice 3
Lembre-se que 1. Steve Jackson nunca apareceu na lista dos 10 Mais Ricos da Forbes; 2. RPG não é produto de primeira necessidade e 3. Existem muitos jogos gratuitos e de ótima qualidade, você já experimentou algum?

Apêndice 4
Rum + suco de abacaxi + leite de coco + leite condensado + gelo = piña colada, um dos meus drinks favoritos. Adivinha o que tinha naqueles copinhos descartáveis que aparecem na terceira imagem…

A terceira foto foi feita por mim. Demais imagens meramente ilustrativas.