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[News] Rein-Hagen ressurge com novo jogo

Mark Rein “Bolinha” Ragen, criador de Vampiro A Máscara, anunciou hoje no facebook que vai lançar seu próximo jogo, uma mistura de RPG de mesa com boardgame chamado “Democracy”, via crowdfunding. A plataforma escolhida foi o onipresente Kickstarter, e a campanha de arrecadação será aberta 30 de agosto.

Quem é vivo sempre aparece

Eu tô achando isso tudo um tédio

Daí que a Record, aquela emissora de TV controlada por uma igreja, resolveu que os vilões de sua novelinha para adolescentes seriam jogadores de RPG. Calma, não é RPG como nós conhecemos, você vai constatar daqui a pouco…

A novelinha é uma versão nacional de “Rebelde”, aquela que nos atormentou uns anos atrás com a música “e soy rebeeeelde” (lembrou?). Não vou criticar artisticamente a coisa, até porque nem vejo nada de artístico na tal novela, mas gostaria de compartilhar um trecho da história com vocês. Eu também não vou tentar explicar que RPG não tem nada a ver com isso (vocês já sabem que não tem), e nem vou sugerir que seria positivo mostrar um grupo jogando de modo saudável – e realista. É chover no molhado, é perder tempo. Já ouviram a expressão “reclamar com o bispo”? Acho que ela nunca fez tanto sentido… Apenas agradeço São Sagan por ser maior de idade e por ter pais que não assistiram novela da Record.

“Vocês nunca ouviram falar em RPG?”

Bom, me parece óbvio que os “roteiristas” ouviram falar muito pouco, hehehe… de qualquer forma, repetindo um dos personagens da novela, eu tô achando isso tudo um tédio.

E vocês?

PS: e esses adolescentes com cara de mais velhos que eu? CASTING – you’re doing it wrong! xD

Revelando os Diários da Espingarda

Presentinho que uma tal de Livia me deu...

A gente fica um tempinho sem postar e já sente saudade. o_O

Estou cheia de posts rascunhados, esperando uma folga para a finalização, mas a correria do cotidiano me impede de terminá-los. Maldita/bendita vida adulta!

Mas como eu não sou de ferro, e apesar de estar meio offline, não deixei de reservar meus tostões (tanto os metafóricos quanto os literais) para o RPG – e entre minhas últimas compras está a bela latinha da edição de luxo nacional de Shotgun Diaries, que saiu no país pela editora Redbox.

Abaixo, o videozinho amador em que eu registrei (com um inexplicável mega sotaque mineirês) esse momento de alegria, hehe.

Rum & Abacaxi

Sei que não é um pirata, mas eu gosto de Bob Esponja!

Por que eu decidi parar de piratear livros de RPG? DISCLAIMER: antes de responder, é bom deixar claro que não tenho a menor intenção de catequizar ninguém. Como eu sempre digo, o DV é para maiores, e acho que você já é grandinho(a) o bastante para tomar suas próprias decisões. Também não pretendo fingir que sou melhor do que os piratas – na verdade, eu sou uma pessoa terrivelmente chata, mesquinha e banal, que não deseja de forma alguma sair por aí pregando algum tipo de padrão de comportamento. Não tenho vocação para padre, pastor ou pai. E, mais óbvio que novela da Globo, é claro que eu sei o que é um torrent…

Nota para os piratas em CthulhuTech

Eu resolvi parar de baixar ilicitamente os livros de RPG porque acho que isso não faz bem ao “mercado” – e, por consequência, à mim mesma. Pois é, parte da minha decisão foi baseada num princípio egoísta, ao contrário do que imaginam os paladinos (ops) do 4shared. Eu acredito que, num comércio restrito como o do RPG, deixar de pagar por um produto pode causar tanto dano à produção do mesmo que os próprios consumidores acabam entrando pelo cano – afinal, se os produtores de RPG não conseguirem se manter, euzinha vou jogar o quê?

É claro que não estou sugerindo a criação de um “PROER” versão RPG, nem estou pedindo à você que tenha “peninha” da CCP/White Wolf e pare de baixar livros do novo WoD. Mas se dá para ficar com a consciência tranquila sabendo que uma indústria que faturava 14 bilhões hoje fatura “só” 6 bi (a fonográfica), é possível dormir sem culpa sabendo que, num mercado onde tiragens são contadas às poucas centenas ou milhares, pirateia-se adoidado? É, meus caros, RPG não é disco do Luan Santana (quem?).

Eu não sou economista, não estudei Administração à fundo e nunca publiquei um livro – portanto, tudo o que eu disser aqui é amador e baseado apenas na minha interpretação, ok? RPG não é entretenimento de massa, capaz de movimentar milhões ou bilhões de dólares, e acho que nunca será. O jogo depende de fatores que excluem a maior parte da população de seu consumo, feliz ou infelizmente. Em primeiro lugar, depende da leitura, e nós sabemos que é difícil encarar a leitura como “entretenimento”, mesmo em países com nível educacional melhor do que o nosso. Em segundo lugar, requer cálculos, e a matemática geralmente simples da maioria dos jogos já se mostra como empecilho, ao menos até onde pude constatar.

E aí, isso ou God of War?

Em terceiro lugar, o RPG precisa competir com formas de entretenimento semelhantes a ele, porém de assimilação mais simples – e aqui é claro que eu me refiro principalmente aos jogos de vídeo-game. Não me entenda mal, não estou chamando aquele game de sei-lá-quantas-horas-de-jogo e plot complicado de “simples”, mas você há de convir comigo que é mais simples se entregar a algo que já vem pronto, com opções pré-definidas e forte apelo áudio-visual do que sentar, preparar suas próprias histórias, ter que destilar referências a partir da sua bagagem cultural, contar fortemente com o inesperado e ainda por cima constatar que tudo só existe na sua imaginação e na do seu grupo.

Aliás, aí vem o quarto problema: RPG se joga em grupo, ou seja, é uma forma de entretenimento que vai contra a corrente individualista pela qual flutuamos. Requer que você tenha amigos e, pior, que se encontre com eles! Já pensou? Melhor ficar quietinho no quarto jogando WoW…

Clique para ver maior

Em quinto lugar, apesar da “glorificação nerd” propagada (e propagandeada) pela cultura pop dos anos 20**, o RPG ainda é visto com reservas pela pequena parcela da população que o conhece. Ainda existe preconceito por parte de pais e educadores (experimente falar que joga RPG entre “leigos” e imediatamente ouvirá “foi você quem matou aquela menina em Minas Gerais?”). E aí os brinquedinhos “nerds” que são mais facilmente digeríveis pela população é que acabam sendo cooptados pelas grandes indústrias, como o vídeo-game, o cinema (quantos filmes baseados em HQ você já viu na última década?) e as séries de TV. Deu para entender porque RPG de mesa não vai faturar como vídeo-game ou cinema? E olha que eu citei só as questões mais urgentes.

Na verdade, eu não sou a favor de piratear nada, nem como bandeira ideológica. Os desenvolvedores de software, por exemplo, merecem viver de seu trabalho tanto quanto os médicos, os professores, os mecânicos ou os lixeiros, e é evidente que a indústria precisa rever seus métodos – assim como nós, consumidores, devemos refletir sobre o fato de que NÃO EXISTE ALMOÇO GRÁTIS, a conta sempre sobra para alguém (e onde é que a corrente arrebenta, mesmo? No elo mais fraco). E, voltando ao RPG, acho que quando falamos de hobbies específicos, que ocupam pequenos nichos mercadológicos sem grande expressão econômica, a pirataria é mais insidiosa e prejudicial. Será que só preguiça impede a Devir de publicar o resto do Mundo das Trevas?

"Não é o que você está pensando!"

Eu sei que você tem um monte de desculpas para piratear seu D&D: o livro é caro, todo mundo faz, a editora que se f0d@, não existe em português, sou contra a globalização, é só para experimentar, eu tenho “direito”, etc, etc, etc. Mas pensa bem: será que algumas destas desculpas não são mais vazias e esfarrapadas do que o meu bolso depois de comprar a versão de luxo de “Shotgun Diaries” que saiu no Brasil?

Eu escrevi lá em cima que não quero propor nenhum modelo de conduta, mas você me permite só um conselho final? Lá vai: que tal contar os pdfs “””alternativos””” no seu pc e tentar comprar um livro para, sei lá,  cada lote de dez/vinte arquivos ilegais? Não precisa nem pagar 99 dólares na edição especial de Vampiro, compre um livro usado num sebo ou faça parte do mercado RPGístico nacional e experimente o Terra Devastada, que sai por cerca de R$40,00 (com frete). Olha só, com quarenta reais você vai comprar um jogo capaz de proporcionar diversão por anos, vai ajudar a fomentar a produção nacional (mais jogos em português), e quem sabe não vai ajudar a sedimentar um mercado que, no futuro, pode recebê-lo como trabalhador (editor, tradutor, ilustrador, autor, etc)? É assim que começa.

Apêndice 1
Além de tudo, ética custa caro, mesmo. É, nem tem muito o que dizer. o_O

Apêndice 2
Existem muitas coisas que as editoras de RPG podem fazer para tentar esquentar o mercado e diminuir a pirataria, mas acho que isso pode ficar para um novo post (este já ficou gigantesco).

Apêndice 3
Lembre-se que 1. Steve Jackson nunca apareceu na lista dos 10 Mais Ricos da Forbes; 2. RPG não é produto de primeira necessidade e 3. Existem muitos jogos gratuitos e de ótima qualidade, você já experimentou algum?

Apêndice 4
Rum + suco de abacaxi + leite de coco + leite condensado + gelo = piña colada, um dos meus drinks favoritos. Adivinha o que tinha naqueles copinhos descartáveis que aparecem na terceira imagem…

A terceira foto foi feita por mim. Demais imagens meramente ilustrativas.

Ser ou não ser, eis a questão

I know who I am: I'm the dude playin' the dude, disguised as another dude!

No post sobre RPG & Mulheres, a Petra deixou um comentário que me intrigou. É claro que todo o feedback que eu recebi foi incrivelmente valioso (como falei no twitter, eu escrevo para LER, não para ser lida), mas é que ela acertou em cheio sobre o que eu já tinha planejado falar. Vejamos: Aproveitando o post para ser chata e contar uma vontade minha xD É que uma coisa sobre a qual gostaria de ver sua opinião um dia é a relação personagem/jogador e jogo/realidade, tipo, como quando um casal de personagens acaba gerando um casal entre players, ou quando jogador tem ciúmes de NPC, ou de outro jogador, brigas em on causam atritos em off, tristeza profunda pós-morte de personagem, coisas assim. Porque nem sempre dá pra separar o jogo, e por mais que conscientemente a pessoa saiba que é ficcção, as vezes não dá para não sentir algo…

Eu já falei sobre a dicotomia personagem x jogador algumas vezes em discussões perdidas pelo Orkut, e quase sempre a reação das pessoas é discordar de mim…. porque eu acho que é impossível dissociar-se por completo do personagem que estamos interpretando. Quase todas as definições de saúde mental que eu conheço (se não todas) encaram a empatia como um componente essencial do bem-estar psíquico e emocional – um sociopata é um indivíduo desprovido de empatia, por exemplo. Muitos biólogos já escreveram teses, tratados e livros sobre como somos seres sociais, demonstrando que provavelmente há um substrato biológico para a empatia. Alias, nossa sobrevivência como espécie depende desta capacidade de reconhecer as emoções alheias e nos colocarmos no lugar do outro – em resumo, empatia é conseguirmos sentir afetividade* de acordo com a situação do outro, independentemente da nossa.
*afetividade: atividade do psiquismo que constitui a vida emocional do ser humano

Se você não sente empatia nem por um cachorrinho sem perna...

Em certos aspectos, penso que a empatia é uma das “colas” que mantém a sociedade unida, pois a partir dela podemos nos comportar com justiça prescindindo de freios auto-impostos como religião ou punição criminal. Talvez você nunca tenha parado para pensar sobre isso, mas em certa medida até a arte depende da  nossa capacidade de sermos empáticos. Sem empatia, é impossível sentir qualquer coisa para além de nós mesmos, e acho que todos aqui no DV concordamos que essa seria uma vida emocionalmente paupérrima, de um narcisismo primário.

Valar Morghulis

Talvez pareça que estou falando de algum tipo de altruísmo inalcançável, mas a empatia aparece em coisas simples: por que você ri quando vê alguém dando risada? Por que fica bravo quando alguém lhe conta uma injustiça? Por que acha filhotes fofinhos? Por que fica triste quando vê sua mãe sofrer? Por que torce pela Arya? Porque você sente empatia. Ser solidário não é só entregar a vida aos pobres como fez a Madre Teresa, é também ajudar um cego na rua, engajar-se em trabalho voluntário ou frear o carro se um cachorro atravessa a pista. Outra coisa interessante sobre a empatia é que, apesar de ser uma habilidade inata, ela requer maturidade e muitas vezes um exercício consciente da gentileza. Crianças muito pequenas ainda não conseguem distinguir onde elas terminam e onde começa o mundo (o outro) – então são egoístas com suas posses, do brinquedo à mãe. Mas a maturação intelectual e psíquica, quando saudável, vem acompanhada do florescimento da empatia.

“Tá Livia. Mas cansei da aulinha chata de Antropologia/Psicologia/Sociologia. Pára de viajar e me diz: o que isso tem a ver com o RPG?” Isso tem TUDO a ver com RPG: se você é um ser dotado de empatia, capaz de reconhecer e sentir as emoções alheias, como é que vai se separar totalmente do personagem que você representa? Eu sei que a vida toda você deve ter ouvido que “isso é só um jogo, você não é um vampiro” (e você não é MESMO um vampiro!), mas não se sinta culpado(a) nem doente se ficar chateado(a) quando seu personagem morrer ou não conseguir realizar algo. Faz parte da experiência de jogo sentir empatia pela criatura que nasceu da sua ficha. Não é meu objetivo aqui falar de técnicas de representação teatral, mas algumas delas preconizam que busquemos em nós mesmos algum correlato emocional próprio para conseguir fazer com que a emoção do personagem seja crível. Na minha experiência com RPG, muitos jogadores fazem isso naturalmente (talvez venha daí o papel catártico do jogo para muitas pessoas), o que só aprofunda o vínculo entre personagem e jogador.

Não tem nada de errado em se frustrar quando o personagem se frustra, em sofrer quando ele sofre, em se regozijar quando ele é bem-sucedido, ou até passar por algum tipo de luto quando ele morre. Na verdade, isso é um sinal de saúde mental, como eu expliquei lá em cima. Ser completamente incapaz de colocar-se no lugar do seu personagem – que não só está “vivo” durante o jogo, como foi você quem lhe deu esta “vida” – pode ser um sinal de que algo não vai bem com você. E assim o oposto também indica algum problema: ser incapaz de separar a sua personalidade daquela que você está representando (e por consequência, separar a realidade da ficção) não é algo sugestivo de maturidade e saúde psíquicas.

Conforme envelhecemos, vai ficando moleza distinguir nossa identidade daquela do personagem, mas quando somos jovens não é incomum ver nas mesas todo tipo de picuinha por coisas que só acontecem dentro do jogo. Na minha visão, não tem problema, desde que a coisa não degringole para nada mais alarmante que uma discussão ou alguns dias “de mal” do coleguinha. É experimentando, errando e debatendo que a gente aprende. Agora, não dá para acabar com uma amizade ou agredir fisicamente alguém por causa de uma brincadeira, sejamos racionais. Assim como não tem graça nenhuma usar a mesa de jogo para punir ou manipular os demais jogadores – em pouco tempo você vai acabar com a diversão. E aqui entra ainda a questão dos relacionamentos que surgem na mesa de jogo. Bom, se é possível encontrar um amor na escola, no clube, na balada, no trabalho, por que não poderíamos encontrá-lo rolando uns dadinhos? A dica é a mesma: empatia sim, excesso não. Você pode até usar da lábia do seu PC para conquistar o objeto do seu desejo, mas não vale insistir se não deu rock, nem querer trazer todas as questões do relacionamento para a aventura dos outros, pois o preço a se pagar é sempre o fim da diversão. E pra quê jogar se não está sendo agradável?

É por isso que você precisa estar com a cabeça em dia para jogar: se a experiência na mesa for profunda, se a imersão for eficaz, é preciso emergir da narrativa com sua psique intacta. No fim das contas, você não precisa se desligar automaticamente do personagem ao término do jogo, como se as vivências dele não representassem nada para você – mas precisa fazê-lo quando não estiver jogando. Conversar sobre a sessão que acabou de rolar é um bom jeito de “sair aos poucos” do personagem, aproveitando até para dar significado para a trajetória do mesmo. É claro que a imensa maioria dos jogadores é saudável e/ou tem suporte emocional para conseguir, inclusive num “ato reflexo”, sentir empatia pelo personagem e ter consciência de que ele é apenas ficção. Mas é preciso estar atento para quem não demonstra essa capacidade, e se necessário buscar ajuda.

Eu comecei o post com uma cena do filme “Trovão Tropical”. Assistam sem preconceitos: é uma comédia bem-feita e metalinguística com uma crítica inteligente sobre Hollywood. Na história, Robert “Iron Man” Downey Jr é um ator australiano que se transforma em negro para interpretar um dos militares do filme que se passa dentro do filme. Na antológica cena em questão, ele tem uma epifania existencial e… ah, assistam e pensem na sua mesa de jogo.

Apêndice 1
Já pensou que no RPG não só você interpreta um personagem como geralmente é responsável pela gênese do mesmo? Você é autor e ator ao mesmo tempo, muitas vezes por meses ou até anos. Acho que é totalmente compreensível que você se apegue à sua criação.

Apêndice 2
Existe uma forma terapêutica de roleplay voltada para quem passa por sofrimento mental: é o Psicodrama, um tipo de terapia. Leiam à respeito, se tiverem curiosidade.

Apêndice 3

PELAMORDECTHULHU, hein?

Usar a mesa de jogo para cantar outro jogador pode ser legal se for feito com muita moderação e respeito, sem forçar a barra e sem constranger o resto da mesa. Sugestão: convide o alvo para jogar um RPG “de dois”, como o sensacional “Breaking the Ice” – que é exatamente sobre relacionamentos amorosos! Muito mais legal. Mas saiba ouvir um “não” sem estragar a amizade. Já se a coisa der certo,  PELAMORDECTHULHU, não use a mesa para fazer DR e muito menos para privilegiar o(a) parceiro(a).

Imagens meramente ilustrativas.