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Novo Mundo das Trevas muda de nome (e os 20 anos de Changeling)

Notícias rapidinhas: numa decisão que me parece acertada (ainda que superficial), a Onyx Path e a “nova” White Wolf decidiram afastar o novo WoD ainda mais do velho. A partir de agora, o setting que inclui Vampiro o Réquiem e Mago o Despertar, entre outros, passará a se chamar “Chronicles of Darkness” (Crônicas das Trevas), deixando o nome “Mundo das Trevas” apenas para o que se convencionou chamar de velho/clássico WoD.

Novo logotipo

Gostaram do novo logotipo?

O motivo por trás da mudança é permitir que as linhas de jogo do primeiro Mundo das Trevas, que começaram em 1991, e do novo Mundo das Trevas, iniciado em 2004, possam coexistir como settings distintos. A atual publicação da segunda edição dos livros básicos [do novo WoD] já evoluiu para Crônicas das Trevas, com seus cenários únicos, e esta repaginada no título permitirá que nossa equipe criativa explore ainda mais os temas e tons destas linhas de jogo
– Richard Thomas, diretor criativo da Onyx Path

Clique aqui para saber mais.

Além disso, a Onyx Path também iniciou nesta semana o financiamento coletivo da edição comemorativa dos 20 anos de Changeling the Dreaming. A alta do dólar e um aumento no frete para o Brasil fizeram com que o livro mais barato saísse por salgadíssimos 580 reais!

Clique na imagem para visitar a página do financiamento

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Os 10 Mandamentos do Rei da Camarilla

Um pouquinho de humor RPGístico…

O dia em que virei um zumbi

Trevosos gonna trevosar

Como vocês sabem, nosso amigo Mark Rein-Hagen está desenvolvendo um novo jogo – I AM ZOMBIE. O título é auto-explicativo, né? Nele, você interpreta um zumbi consciente, tentando sobreviver num mundo disfuncional muito parecido com o nosso. IAZ vai sair pela empresa Make-Believe Games. Ah, Mark também é um convidado especial no EIRPG deste ano, marcando o retorno do evento.

No Facebook, Rein-Hagen tem prometido “inovação”, com “mecânica simples e funcional”. A criação de personagens é baseada em cards, o que me lembra a primeira versão de Changeling the Dreaming e seu sistema de magia com as Cantrip Cards. No IAZ, cada carta é um arquétipo, contém habilidades, e você escolhe algumas destas cartas para montar seu personagem. “Fichas de personagem são coisa do passado”, disse Mark. Será que o jogo vem com todas as cartas ou a gente vai ter que ficar se matando para colecionar decks? =/

IAZAté o momento, eu achei a dinâmica do texto bem semelhante ao trabalho dele no Mundo das Trevas. O I AM ZOMBIE poderia, ao que parece, fazer parte do WoD sem muitas arestas a aparar. Algo do tipo “Zombie, the Toxic”, com um Caim particular e tudo, o lendário zumbi primordial Prometeu (o próprio). O que não tem nada de ruim, pelo contrário, se assim como eu você também é fã de metaplot extenso e intrincado; mas vai na contramão do que há de mais cool-moderno-hipster no design de RPG atual. Incluindo aí retroclones. De qualquer forma, para continuar surfando na onda da modernidade, o jogo será lançado via financiamento coletivo no site Kickstarter.

Aguardemos.

Enquanto isso, traduzi (com autorização do autor) o léxico proposto para o jogo, e você pode encontrar o original aqui. Os glossários sempre foram um dos elementos mais atraentes dos jogos do WoD para mim, e é interessante ver como boa parte do processo criativo do Rein-Hagen está ancorada simplesmente nas palavras que, para ele, definem a ambientação.

I AM ZOMBIE

 I AM ZOMBIE – Léxico do jogo

Além – aquilo que chamamos de vida depois que você se torna um de nós, um Tóxico.

Amirani – legendário primeiro Zumbi, adorado por alguns. Diz a lenda que ele foi o Prometeu original e ainda está acorrentado ao Monte Cáucaso, ele deu o fogo aos humanos e meia-vida para nós. Três anjos fizeram dele seus “olhos entre os homens”, mas o Icor concedido por eles corrompeu o corpo, a alma e o espírito de Prometeu, e quando ele acordou todos estavam mortos; foi o primeiro surto.

Amilóide – nossa carne morta, nosso Odium. Os pedaços antigos, semimortos e levemente infecciosos dos Tóxicos e da Praga: aquilo que reunimos e coletamos durante a Purgação e que pode ser usado na Gris-Gris.

Arakan – legendário grau de iluminação, onde um Tóxico consegue controlar sua doença e infecção. Dizem que eles não possuem mais Odium.

Benigno – quando você está na forma humana, com baixos níveis de infecção e Odium.

B.L.E.A.C.H. – departamento secreto do governo que utiliza grupos de combate especialmente equipados para enfrentar surtos através de exterminação total, desinfetando com fogo e substâncias químicas.

Brejo – Sanatório localizado em um pântano

Respiradores – humanos normais, não infectados

Carnal – o ato sexual violento e ilegal em que alguns Profanos se engajam quando estão carregados de Odium.

Cânone, O – Leis dos Profanos, conforme determinadas pelos Solan e o conselho, e interpretadas pela Paxilla.

Carreador – nosso nome formal, “Carreador e Carniça, companheiros imortais”.

Poluído – o momento em que um humano é infectado e se torna um Zumbi, seja ele um Trapo, um Servo ou um Profano.

Nota do Pavor – ruído supersônico emitido pelos participantes de uma Purgação, tão assustador e terrível que espanta os humanos e deixa até mesmo alguns Tóxicos incomodados.

Carniceiro – criatura monstruosa que parece viver sob cada Sanatório, amamentada através da Moela

Turba – um grupo de Tóxicos que andam juntos, trabalhando em equipe

Mordida – a fome eterna. Quanto mais usamos nossos Vetores, mais precisamos comer, de preferência carne humana.

Chwal – “cavalo” em haitiano, nome que se dá ao servo ou lacaio que está sendo cavalgado, ou seja, controlado por um mestre usando Mambo.

Diácono – pessoa que representa o Sanatório ou Colônia durante uma Purgação, tem assento no conselho do Inquérito, elege o Solon, e tem direito a voto.

Negrume – nós dormimos, mas às vezes também passamos longos períodos nos restabelecendo sob a terra fresca, em um tipo de coma ou hibernação. Este tempo pode ser usado para controlar Fantoches de Carne, se você possuir os Vetores certos. Pode durar meses ou anos. Murkins são os melhores nisto.

Lamento – canção entoada durante a Purgação

Droog – um amigo, um termo de afeição e respeito, “compadre”

Emergência – momento em que um Surto está prestes a irromper

Fenya – a antiga linguagem secreta ainda falada por alguns Profanos mais antigos

Feral – aquele que vive sozinho, muitas vezes fora do circuito, separado de um Sanatório. Ferais muitas vezes são vistos apenas na Purgação.

Forca – o local de trabalho, espaço privado que você pode possuir dentro de um Sanatório, uma área particular. Pode ser um laboratório completo ou apenas um quartinho de despejo.

Coxo – um lacaio que perdeu tanta inteligência e livre arbítrio que não é mais capaz de viver normalmente no mundo dos humanos.

Casca – quando alguém está muito Maligno, tão cheio de Odium que se torna inconsciente. É como um estado de berserk prolongado. Pode durar anos; sabe-se de Trapos muito antigos que de repente sacodem a poeira e retornam à meia-vida.

Gris-Gris – um talismã no formato de uma bolsinha, geralmente feito com a pele de um Profano muito poderoso, às vezes já falecido. A bolsinha contém dentes, Icor, e outras partes do corpo de alguém. Servos muitas vezes recebem Gris-Gris com as partes de seus mestres, para serem controlados mais facilmente.

Lodopodre – o estranho bolor negro que tende a crescer perto de e em Sanatórios dentro do Miasma.

Sanatório – lar e refúgio para os Tóxicos. Um Sanatório controla e é responsável pela área ao seu redor. Muitas vezes é o ponto de encontro para uma Purgação.

Horda – três ou mais Tóxicos, geralmente que não vivem em um Sanatório. Costumam ser selvagens, jovens e com pouco Odium.

Icor – a manifestação física da Praga após a Purgação, onde ela é destilada como uma “gosma brilhante” e então transformada em contas ou pedras. Pode ser recolhida e usada para fortalecer os efeitos de Manifestação. Extremamente rara e valiosa, geralmente possuída apenas por Sanatórios, Cartéis e raros indivíduos muito poderosos.

Imune – um humano que não pega o Vírus, revelado pelo Doctus. Usados como mensageiros, etc.

Inquérito – o Conselho dos Diáconos, e também uma corte de Justiça, liderada pelo Solon, que acontece na Purgação.

Lich – Tóxicos muito velhos e apodrecidos, com frequência gravemente enlouquecidos, com apenas parte de seu corpo intacta, talvez apenas um crânio ou uma mão. Tratados como bibliotecas vivas.

Maganan – O Poder de ser, o poder dos antigos

Maligno – quando você está carregado de Odium e começa a agir como um Trapo, muitas vezes sem auto-controle.

Manifestação – seus poderes particulares, concedidos pela sua infecção

Moela – o orifício decorado por onde o Icor é despejado para alimentar os Carniceiros dos Sanatórios

Fantoche de Carne: um serviçal sob controle direto e imediato de um mestre

Miasma – a perigosa área infectada ao redor de um Sanatório, ou outros locais onde vivem Tóxicos, ou áreas de Surtos. Este “ar” aparece como poluição e corrosão, mas dá uma força extra para nossas Manifestações. Alguns tipos de “rituais” são mais facilmente realizados dentro do Miasma.

Servo – um humano que está infectado, mas apenas até certo ponto. Às vezes quem não foi mordido ou arranhado mas vive entre os Mestres torna-se um Servo. Servos também podem ser criados a partir de Trapos, Zumbis completos, através de certos rituais. Servos muitas vezes são usados como Fantoches de Carne, extensões da vontade dos Mestres. O termo antigo é Bardaj.

Surto – quando uma infecção zumbi sai do controle, e eles começam a contagiar grande parte da sociedade humana

Paxilla – os executores, oficiais de justiça e equipe de segurança da Purgação e do Inquérito, poderosos e muitas vezes representam a Lei por si sós. Quando eles gritam Pax, todos devem se calar.

Nascido da Praga – o nome antigo, comum, que usamos para nós. Ver também: Tóxico, Carreador.

Purgação – reunião mensal a que somos obrigados a comparecer, para onde devemos levar todo o Odium que conseguimos “coletar”. De acordo com os velhos tratados, enquanto fizermos isso não seremos caçados, portanto continuamos a fazê-lo por puro medo. Uma Purgação sempre tem fogo, e um receptáculo, um Lamento, e dança. Alguns dizem que a arte medieval da Danse Macabre é baseada neste antigo ritual.

Profano – como nos chamamos, ver também Tóxicos, Carreadores, Nascidos da Praga

Pira – sagrado fogo purificador, mantido aceso ininterruptamente no Sanatório, trazido da Purgação direto de Zadani, a perdida primeira Necrópole. Usado para purificar o Odium coletado.

Flagelo – a praga dentro de nós, nossa infecção, a doença, a voz dentro da minha cabeça, que nos concede vitalidade e Vetores.

Rashi – animais Zumbis, geralmente criados reunindo pedaços de diferentes bichos, utilizados para proteger os Sanatórios. Difíceis de domar, mas muito leais aos seus donos. Podem ser convocados ou controlados queimando suas penas ou garras.

FVR – “Forma de Vida Reanimada”

Seis de Seis de Seis – a antiga profecia sobre como a extinção final ocorrerá ou sobre como preveni-la.

Ferida – um Feral desprezível, um termo usado para provocar alguém

Manquejar – a caminhada até a Purgação, conforme você reúne Odium.

Manco – alguém que temporariamente perdeu os sentidos por causa do Odium alto e está se comportando como um Trapo.

Sexta Extinção – o surto final, um mundo despedaçado pela infecção, que logo virá.

Torrar – quando a polícia desce a repressão, punindo todos os Tox que consegue pegar, culpados ou não.

Trapo – um Zumbi sem nenhuma consciência, quando comparado a um Servo, que ainda retém alguma.

Linhagem – o Fenótipo da Praga que infectou você, entendido em termos de como ele recentemente se ramificou do tronco evolucionário: desde a Ruina de Abaddon até o Vírus Kreiger [ok, não resisti: será uma referência a Shadowrun?]. Também Fenótipo.

Síndrome – a progressão da doença em você, do início até a fase terminal.

Assentamento – local ocupado por uma Horda, temporária ou permanentemente; tende a ser pútrido e decadente.

Odium – o sopro de corrupção e decadência que sempre existe em cada um de nós, não importa o quanto possamos parecer humanos, ou se fomos contaminados a pouco tempo. Odium deve ser purgado, ou desenvolveremos Síndromes.

Síndrome de Tibilisi – quando alguém se recusa a ceitar que agora é um Tóxico, e tenta manter sua vida humana, muitas vezes infectando sua família e acabando por causar um Surto.

Crachá de defunto – inútil, que não serve para nada, ver Ferida.

Tóxico – gíria moderna para se referir a nós, muitas vezes abreviada para Tox, ver também Profano, Carreador, Nascido da Praga.

Tostadinho – gíria para novatos e Ferais suspeitos de serem rapidamente vitimados pelo ciclo. A maioria dos Profanos vive no máximo 20 anos, a não que sejam muito espertos e cuidadosos. Falar que somos imortais é um erro, apenas uma minúscula fração de nós passa dos 100 anos.

Vetor – os poderes únicos que vêm com nossa doença.

Vírus – o nome que damos à Praga dentro de nós

EVE – Exame Visual de Extremidades, realizado regularmente para garantir que não estamos machucados, pois o Protoviron reduz nossa sensibilidade à dor.

Zadani – a primeira necrópole perdida, terra natal do fogo sacrado. Também significa uma tarefa impossível, uma missão impossível de completar.

Corredor – um Trapo ou Tóxico que se movimenta rapidamente.

* * *

Vocês têm alguma sugestão de tradução? Ou novidades sobre a mecânica?

Também comecei a traduzir o conto introdutório do cenário, mas fiquei com preguiça. O Glossário era mais rápido, né?

Imagens meramente ilustrativas

Cadê o limite que estava aqui?

De que limite estamos falando, mesmo?

Eles não me contaram sobre o resto, mas certamente eles sabiam do que se tratava. Os caras na Inteligência do Novo Governo da Terra não são idiotas. Mas se eles tivessem me contado tudo, eu jamais teria sido voluntário. Eu até esperava tatuagens ou algum rito de passagem. Mas piercings extremos e escarificação são algo completamente diferente. Meus dentes foram todos afiados. Não sei há quanto tempo não vejo um espelho, mas tenho certeza de que não pareço mais humano. Não que eu me sinta depois de tudo o que tive de fazer. Ajudei a exterminar vilas inteiras, torturar brutalmente e matar pessoas inocentes. Comi carne humana – repetida e regularmente. Estuprei mulheres até a morte. E fiz pior com crianças depois de elas já estarem mortas.
(CthulhuTech rulebook, pg 203)

O que diriam os “ativistas” anti-D&D se soubessem o que habita os jogos mais ‘desconhecidos’? Você não precisa baixar um pdf de F.A.T.A.L. (com suas regras de elasticidade anal) para se deparar com violência, heresia, sexo, perversão e todo tipo de tema-apavora-mãe dando sopa e esperando o momento certo para aparecer na sua mesa de jogo.

Os radicais americanos têm um horror atávico a tudo que lembre “Fantasia” (acho que, se pudessem, ainda estariam queimando “bruxas” no intervalo das aulas de Criacionismo [projeção? rs]), mas há muito mais disponível do que magos com bolas de fogo, vampiros arrependidos ou monstros destruidores de cidade para os jogadores de RPG. Não que eu queira oferecer munição aos haters, mas e aí, é possível trazer para a mesa de jogo pedofilia e estupro? Ou amor e traição? Aliás, vale a pena abordar esses temas? Como fazê-lo? E, acima de tudo, tem um limite para isso?

Keith e Kevin sempre foram cruéis comigo. Eles eram gêmeos, e meus irmãos mais velhos, mas não poderiam ser mais diferentes de mim. Baixos quando eu era alta, morenos quando eu era loira. Algumas lembranças são mais dolorosas que outras; como quando eles mataram meu cachorro Sparky e colocaram sua cabeça decepada sobre a minha cama. Ou quando eles me amarraram no estábulo e me bateram com o chicote do cavalo. E quando eles me forçaram a vê-los abrindo a barriga de nossa gata grávida e a deixaram sangrar até morrer. Eles me trancaram no porão com o cadáver da gata, que atraiu os ratos. Quando eu fiquei mais velha, Kevin me forçou a fazer coisas com ele, que ele disse que todo mundo fazia com irmãos mais velhos. Eu fiquei terrivelmente confusa e envergonhada, e pensei em me matar.
(Kult rulebook, pg 33-34)

Quando eu era adolescente, minha mãe dizia que as sessões de jogo com meus amigos eram “a catarse dos nerds”. Nunca fui uma excluída social (apesar de tudo), mas um jogo de RPG pode ser encarado como uma experiência catártica, além de simples passatempo – e aí a temática madura cai como uma luva de lâminas na mão do Freddy Krueger. Experimentar a transgressão num ambiente seguro e virtual (no sentido de fictício) é uma forma de libertação, e provavelmente é o mais interessante nesta história de acrescentar a parte maligna do mundo nos nossos jogos.

Além da possibilidade de vivenciar o medo e o nojo de forma segura, incluir temas muito cabeludos nos jogos também serve para torná-los mais realistas – e às vezes é bom fugir do escapismo da fantasia tradicional, trazendo para o nosso grupo de jogo (que geralmente é nosso grupo de amigos) a possibilidade de discutir coisas como preconceito, maldade, sexo.  Eu acredito na força da palavra e, sendo o RPG um jogo calcado no discurso, me parece imperdível a oportunidade de resgatar esses temas que nós gostamos de manter guardadinhos no fundo de algum armário psíquico/emocional.

Outro bom motivo para falar de assuntos difíceis é aprender a torná-los mais palatáveis na vida real. Claro que aqui eu não falo de estupro e ultra-violência, mas é interessante conseguir conversar sobre sexo e sentimentos (sim, sentimentos são temas pouco explorados nos jogos de RPG – seria por algum vício machista?) com mais naturalidade. Tanto para homens quanto para mulheres, e principalmente num grupo misto – pode ser uma ocasião única para observar as reações dos outros e aprender com elas.

Quais dos seguintes pecados seu personagem cometeu?
Escolha nenhum, um, qualquer um, ou todos eles:
Adultério
Blasfêmia
Idolatria
Assassinato
Motim
Estupro
Roubo
Sodomia
Você pode contar o mesmo pecado duas vezes, se o seu personagem anda pecando de modo prolongado, repetido, excessivo e sem remorso, e o vem fazendo até hoje.
(Poison’d A Pirate RPG, pg 4)

“Tudo bem, eu entendo seu ponto de vista, Livia. Mas COMO falar disso na mesa sem deixar ninguém sem graça? Sem fazer todo o grupo pensar que sou um(a) tarado(a)?” É só lembrar do “poder das palavras” (auto-ajuda style, hehehe) e chamar o pessoal para conversar, ver o que cada um espera da sessão, se todos estão dispostos a acrescentar novas camadas ao jogo, torná-lo mais denso. Convide a galera a ler o DV, por exemplo. Na minha experiência, muitos grupos se tornam mais profundos com o simples passar do tempo, naturalmente. Mas em outros pode ser necessário verbalizar esse anseio, e não tem nada de errado nisso. O importante é entrar em consenso.

Clique e reflita a respeito

Não dá para chegar com a contracapa do clanbook Tzimisce na sua mesa de Tormenta que só joga aventuras infantis no mundo do chocolate e querer obrigar o pessoal a interpretar vampiros assassinos que só se alimentam de bebês. Transgredir é legal, ser exageradamente agressivo não – aliás, optar pelo excesso não vai trazer maturidade à mesa, pelo contrário: é das crianças que esperamos tanta inconsequência. E o limite entre transgressão e babaquice é individual, por isso você precisa ir com cautela, respeitar os desejos do grupo, avaliar limites de idade, limites de crença religiosa… para saber até onde sua mesa está disposta a ir, é preciso avançar com cuidado e paciência. Algumas pessoas só querem mesmo passar algumas horas num “mundo melhor”, onde a honra ainda vale alguma coisa, e isso não faz de ninguém um tolo imaturo.

“Ih, Livia… minha mesa só tem maluco, já estamos decapitando bebês há séculos. O que fazer?” Parar e pensar. Além do batido conselho de conversar com o grupo, tentar entender porque tanta “fleuma“. Será que a violência está sendo usada sem conexão com a realidade? Será que os personagens aparecem como capangas de vídeo-game, sem passado ou presente que os torne seres palpáveis e que causem empatia nos jogadores? Praticamente todo jogo propõe punições para personagens que se tornem excessivamente degenerados – será que o mestre do seu grupo está fazendo valer essas regras? Pense no mundo real: ninguém tolera o terror por muito tempo, as pessoas se revoltam e de alguma forma tentam encontrar o equilíbrio. Talvez seja hora de colocar os NPCs como antagonistas mais fortes. É claro que o seu grupo pode simplesmente gostar do deboche – aí, caso você esteja se sentindo deslocado(a) e não veja como mudar, talvez seja hora de mudar de grupo.

Under my Skin (Sob a Minha Pele) é um jogo sobre fé, amor e compromisso. Neste jogo, você interpreta um personagem que está num relacionamento, mas sente atração por outra pessoa. Os jogadores exploram os medos que os personagens experimentam sobre perda e traição, e navegam pelos complicados dilemas da franqueza, confiança e comunicação que desafiam todos os relacionamento de tempos em tempos.
(…)
Este jogo requer que os jogadores  falem sobre questões emocionais sérias durante o mesmo. Por favor, jogue com consciência, e divirta-se perigosamente.
(Under my Skin, pg 5)

Apêndice 1
Outra forma de abordar uma temática mais adulta é através da ficção. Discuta obras com um conteúdo mais realista e “mundano”, como os livros da série “Crônicas de Gelo & Fogo” (fantasia medieval), os livros da Marion Zimmer Bradley (tem de ficção arturiana a ficção científica) ou filmes como “Conquista Sangrenta” (fantasia medieval para crescidinhos). Enquanto todo mundo quiser repetir “O Senhor dos Anéis”, não dá para colocar orcs estupradores na aventura. Obs: eu amo Tolkien assim mesmo.

Imagens meramente ilustrativas